2026 renova cenário de incertezas

Ano começou com a invasão da Venezuela e a captura de Maduro pelos Estados Unidos, onde deve ser julgados por vários crimes, entre eles, o narcotráfico

  • Por Denise Campos de Toledo
  • 05/01/2026 17h55
KENA BETANCUR / AFP maduro preso noa EUA Manifestantes anit-Maduro protestam do lado de fora de presídio onde o venezuelano está detido nos Estados Unidos

Se 2025 já foi um ano marcado por muitas incertezas, 2025 promete não ser muito diferente, tanto no âmbito externo como interno. Já começou com a invasão da Venezuela e a captura de Maduro pelos Estados Unidos, onde deve ser julgados por vários crimes, entre eles, o narcotráfico.

Independentemente da situação interna da Venezuela, da inquestionável ditadura à qual a população estava submetida, da pesada crise econômica, a intervenção soa como um precedente perigoso. Até porque o próprio Trump deixou em aberto possíveis novas intervenções, como na Colômbia e na Groenlândia, território autônomo da Dinamarca, que pertence ao bloco europeu. Não sem motivo, as ações ligadas à área de segurança e armamentos estiveram entre as maiores altas pelo mundo nesta segunda-feira (5).

Fora questões geopolíticas, inclusive mais antigas como a invasão da Ucrânia pela Rússia, numa guerra que já dura quatro anos, a própria situação da Venezuela pode ter desdobramentos. O petróleo abriu a semana mais pressionado, mas com volatilidade, diante das dúvidas quanto à evolução da oferta. Em princípio, com restrições às vendas para outros países, como Rússia e China, que até operavam na exploração, a oferta tende a diminuir no curto prazo. Mas com os Estados Unidos no controle – ainda que seja mantido, por enquanto, o governo da vice-presidente Delcy Rodrigues – investimentos devem ser agilizados para exploração da maior reserva de petróleo do mundo.

Petróleo e gás mais baratos são objetivos de Trump desde a campanha. Além de não respeitar regras internacionais, o presidente norte-americano também não tem qualquer compromisso climático. O Brasil pode ser favorecido, do lado da inflação, no caso de ampliação da oferta, que pode ajudar a manter os preços mais baixos. Por outro lado, isso pode reduzir o retorno financeiro da Petrobrás e outras empresas do setor, cujas ações já recuaram no primeiro pregão da semana.

Fica ainda a preocupação quanto à relações externas do Brasil, o quanto essa situação antecipa possíveis interferências nas eleições que, independentemente disso, já geram muitas incertezas, num cenário que promete ser dos mais polarizados. E ano de eleições renova as dúvidas quanto à evolução das contas públicas, o relacionamento entre governo e Congresso, a política de juros e o andamento da economia.

A Lei Orçamentária, sancionada com vetos pelo presidente Lula, não minimizou as incertezas fiscais. A proposta orçamentária estabeleceu um cronograma para a liberação de emendas, que tiveram reforço importante, ao mesmo tempo que permite que o governo trabalhe na tolerância da meta do arcabouço, sem ter de viabilizar o superávit de 0,25% do PIB. E isso, apesar da exclusão de algumas despesas do limite de gastos e da aprovação de medidas tributárias, como a maior taxação das Bets, Fintechs e dos Juros sobre Capital Próprio. Foi um acordo de última hora, entre governo e Congresso, antes do recesso, que deixou de lado impasses, como a indicação de Jorge Messias para o STF. Impasses que podem ser ampliados, com o previsto veto da dosimetria.

Estão aí apenas algumas das incertezas com as quais teremos de lidar neste ano, em que se prevê corte gradual dos juros, pelo Banco Central, mas com impacto ainda represado sobre a economia, que deve ter uma desaceleração do crescimento. É ver se essa perspectiva não servirá de justificativa para mais despesas públicas. Governo Federal, os estaduais e o parlamento, certamente, terão preocupação maior com o nível de satisfação do eleitorado, com cada qual tentando puxar pra si, eventuais resultados mais favoráveis. Só com as eleições 2026 já começaria mesmo com a renovação de muitas incertezas

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.