388 milhões de perseguidos: A crise global da liberdade religiosa
Em termos estatísticos, isso significa que 1 em cada 7 cristãos é perseguido globalmente
Rafael Durand - 15/01/2026 09h47

A recém-divulgada Lista Mundial da Perseguição (LMP) 2026, elaborada pela organização Portas Abertas, que divulga o ranking dos 50 países onde cristãos são mais perseguidos por causa da fé em Jesus, apresenta um diagnóstico devastador sobre o estado da liberdade religiosa no planeta.
Os dados revelam um cenário alarmante: mais de 388 milhões de cristãos em todo o mundo sofrem níveis elevados de perseguição ou discriminação por causa de sua fé. Em termos estatísticos, isso significa que 1 em cada 7 cristãos é perseguido globalmente.
Diferentemente do que muitos podem imaginar, essa realidade não está restrita a continentes distantes. A crise da liberdade religiosa bate à nossa porta, atingindo países da América Latina, inclusive nações que fazem fronteira com o Brasil.
No ranking de 2026, figuram países como Cuba (24º), México (30º), Nicarágua (32º) e Colômbia (47º).
Nessa região, a perseguição manifesta-se de formas multifacetadas. Em regimes ditatoriais como o da Nicarágua e de Cuba, o Estado utiliza o aparato repressivo para perseguir líderes religiosos, fechar instituições cristãs e silenciar vozes dissidentes. Já em países como México e Colômbia, a perseguição é impulsionada pela corrupção e pela atuação de grupos criminosos e facções do narcotráfico, que veem na Igreja e em seus valores um obstáculo ao seu domínio territorial.
Diante dessa tragédia humanitária, o silêncio da comunidade internacional é ensurdecedor. Salvo honrosas exceções, como o presidente americano Donald Trump; que tem tomado providências e se posicionado abertamente em defesa da liberdade religiosa global; a maioria das grandes potências e organismos internacionais tem falhado em denunciar ou adotar medidas concretas.
Trump, inclusive, denunciou na Assembleia Geral da ONU que o cristianismo é a religião mais perseguida do mundo, expondo o genocídio cristão na Nigéria, que figura como a campeã mundial em assassinatos de fiéis segundo a Lista Mundial da Perseguição (LMP) 2026.
Por outro lado, lamentavelmente, a maioria das grandes potências e organismos internacionais tem falhado em denunciar ou tomar providências concretas para combater a perseguição aos seguidores de Cristo. Existe uma complacência institucional que ignora o sangue derramado por aqueles que apenas desejam professar sua fé em paz.
É imperativo reiterar que a liberdade religiosa não é uma concessão estatal, mas um direito natural, humano e, portanto, universal. Ela está consagrada na Declaração Universal dos Direitos Humanos (Artigo 18), em diversos tratados de direitos e nas constituições das nações democráticas. No entanto, mesmo com o amparo legal, a perseguição só cresce, expondo a fragilidade do sistema internacional de proteção aos direitos fundamentais.
Como cristãos, não devemos nos surpreender com essa realidade, pois a própria Bíblia nos alerta que a perseguição por causa da fé é algo inevitável para aqueles que desejam viver piamente em Cristo Jesus (2 Tm 3:12). Entretanto, esse alerta não deve servir como desculpa para o conformismo. Ora, a mesma Escritura que avisa sobre o martírio também nos impulsiona a “abrir a boca a favor dos que não podem falar” e lutar contra as injustiças (Pv 31:8).
Portanto, enquanto tivermos vida e voz, é nosso dever, além de orar, exercer a cidadania em solidariedade aos nossos irmãos e à Igreja perseguida ao redor do mundo. Denunciar o arbítrio e socorrer os necessitados é a prova prática do amor cristão em tempos de intolerância!
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Rafael Durand é advogado, mestre em Direito, pós-graduado em Direito Público e em Direito Digital, professor, membro do Instituto Brasileiro de Direito e Religião (IBDR) e da Comissão de Direito e Liberdade Religiosa da OAB-PB, fundador do NEPC3 – Núcleo de Estudos em Política, Cidadania e Cosmovisão Cristã, autor de artigos e obras jurídicas. |
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