8 de janeiro: A crônica de um país sequestrado pela narrativa
Uma mentira contada à exaustão até se transformar em “verdade”, não porque foi provada, mas repetida
Magno Malta - 08/01/2026 17h51

Três anos se passaram. Três longos anos desde que o dia 8 de janeiro de 2023 foi inscrito na história do Brasil não como um episódio devidamente apurado, mas como uma narrativa conveniente ao sistema.
Uma mentira contada à exaustão até se transformar em “verdade”, não porque foi provada, mas porque foi repetida nas matérias jornalísticas feitas por veículos patrocinados pelo Governo Lula.
Desde então, o que se viu foi a criminalização em massa de pessoas comuns. Homens e mulheres sem antecedentes, pais e mães de família, idosos, trabalhadores, gente simples, muitos movidos pela fé, pelo patriotismo ou pela indignação, passaram a ser tratados como terroristas.
Tudo isso para sustentar a ficção de um “Golpe de Estado” que jamais se materializou. Um golpe sem líderes, sem armas, sem comando, sem plano e sem tomada de poder. Um golpe que existe apenas no discurso oficial.
Para justificar tamanha crueldade, não bastou o Direito. Foi necessário construir um enredo de terror.
Hannah Arendt, ao analisar regimes autoritários, ensinou que a perversidade do sistema não reside apenas na violência explícita, mas na banalização do mal, quando decisões desumanas passam a ser tratadas como simples atos burocráticos. Foi exatamente isso que aconteceu aqui no Brasil.
Nesse contexto, fatos concretos surgiram e foram convenientemente ignorados. As imagens do general G. Dias, então chefe do GSI, circulando pelo Palácio do Planalto no próprio dia 8, servindo água, dialogando com manifestantes e permitindo acessos, jamais foram explicadas.
Tampouco houve responsabilização proporcional ou uma investigação profunda sobre falhas graves de segurança.
Da mesma forma, nunca se explicou, com seriedade, por que alertas de inteligência foram desconsiderados? Por que autoridades do governo federal estavam cientes dos riscos e nada fizeram para impedir os acontecimentos?
Ou ainda, por que não houve uma apuração transparente sobre a possibilidade de infiltrados, algo comum em eventos dessa magnitude, hipótese simplesmente descartada sem investigação? Em um Estado Democrático de Direito, descartar perguntas incômodas é sempre um sinal de alerta.
Enquanto isso, inocentes pagam o preço com a liberdade, com a saúde, com a dignidade e, em alguns casos, com a própria vida…
O caso de Clezão permanece como uma ferida aberta. Mesmo diante de laudos médicos, apelos da defesa e do evidente agravamento de seu estado de saúde, nada foi revisto. Ele morreu sob custódia do Estado. Afirmar que Alexandre de Moraes tem sangue de inocentes nas mãos não é retórica, é constatação.
E ele não está sozinho. Divide essa responsabilidade com todos que sustentam essa mentira: parte da imprensa, artistas militantes, políticos de esquerda e uma parcela da população anestesiada pela “propaganda”.
Falo também como testemunha ocular. Estive diversas vezes nos presídios da Papuda e da Colmeia. Vi de perto os chamados “golpistas”. Oramos juntos, louvamos e conversamos. Não vi criminosos perigosos. Vi cidadãos assustados, famílias destruídas e pessoas adoecidas.
No máximo, houve excessos pontuais naquele dia, reprováveis, sim, mas absolutamente desproporcionais às penas aplicadas.
Nesse mesmo sentido, o caso de Débora, a chamada “do batom”, tornou-se emblemático. Pichar uma estátua passou a ser tratado como crime equiparado aos maiores escândalos da República.
Enquanto isso, ladrões do INSS, esquemas bilionários e envolvidos em operações suspeitas seguem praticamente intocados. Débora recebeu uma pena de 14 anos de prisão. Inacreditável!
Alexis de Tocqueville já alertava:
O pior dos despotismos é aquele que se cobre com as vestes da legalidade.
Diante disso, é preciso dizer com todas as letras que essas pessoas foram usadas. Manipuladas para sequestrar o país, instaurar o medo e criar uma cortina de fumaça enquanto o Brasil é saqueado.
Manifestar-se é um direito constitucional. O que não é constitucional é transformar manifestantes em inimigos do Estado para preservar um projeto de poder.
Como se não bastasse, três anos depois, em uma data simbólica, Lula veta integralmente o projeto da dosimetria, que nunca foi a anistia que defendemos, mas ao menos representava um fio de esperança para os patriotas. No mesmo gesto, convoca um “ato pela democracia”…
Que democracia é essa? Aquela em que decisões são monocráticas, penas são exemplares para uns e inexistentes para outros, e questionar virou crime?
Vivemos, assim, um teatro grotesco, mantido para enganar os desinformados, os iludidos e os que ainda acreditam que tudo isso é normal. Aleksandr Soljenítsin dizia que “o maior aliado da mentira é o silêncio”. E eu me recuso a silenciar.
Por isso, tenho fé. Creio que atravessaremos este mar vermelho e que o faraó não terá a última palavra.
Confio em Deus, que não falha, não se corrompe e não se curva ao poder humano. Ele fará justiça. Por isso, nossa luta continua. Porque a verdade pode até ser perseguida, mas jamais será derrotada.
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Magno Malta é senador da República. Foi eleito por duas vezes o melhor senador do Brasil. |
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