A 30 dias do fim, CPMI do INSS acumula mais de 800 requerimentos pendentes

Comissão deve encerrar os trabalhos em 28 de março, com quebras de sigilo e convocações estratégicas ainda sem análise

  • Por Bruno Pinheiro
  • 19/02/2026 11h04
Bruno Spada/Câmara dos Deputados CPMI do INSS prepara relatório preliminar para fevereiro CPMI do INSS

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS entra na reta final sob pressão de calendário e com um volume expressivo de pedidos ainda não analisados. O colegiado tem previsão de encerramento em 28 de março de 2026, mas acumula mais de 800 requerimentos pendentes de deliberação, entre convocações, convites e solicitações de quebra de sigilo.

A lista inclui medidas consideradas centrais para o avanço das apurações, como a convocação de dirigentes de entidades associativas apontadas como peças-chave no esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões. Também seguem sem análise pedidos de quebra de sigilo bancário, fiscal e telemático de investigados que ocuparam cargos estratégicos dentro da estrutura do INSS.

Entre os pontos mais sensíveis está a tentativa de aprofundar a investigação sobre possíveis falhas internas na autarquia e eventual conivência de agentes públicos. Há ainda requerimentos voltados à apuração da atuação de federações e associações envolvidas na concessão de descontos em benefícios previdenciários, além de convites a autoridades responsáveis por medidas judiciais de recuperação de recursos.

Criada para apurar um esquema bilionário de descontos irregulares sobre benefícios previdenciários, a CPMI ampliou seu escopo ao longo dos trabalhos e passou a examinar possíveis conexões financeiras com instituições privadas.

Nesse contexto, a comissão ouvirá na próxima segunda-feira (23) o banqueiro Daniel Vorcaro, no âmbito das investigações envolvendo o Banco Master. O depoimento estava inicialmente previsto para o dia 26, mas foi antecipado, conforme confirmou a Jovem Pan.

A oitiva ocorre em meio a discussões internas sobre o foco da reta final da comissão. Parlamentares divergem sobre a estratégia a ser adotada nas últimas semanas: parte defende concentrar esforços em depoimentos considerados prioritários; outros pressionam pela votação das diligências pendentes antes da elaboração do relatório final.

Com o prazo se aproximando, cresce a avaliação de que nem todos os pedidos serão apreciados antes do encerramento formal dos trabalhos. O relatório final deverá consolidar as conclusões da comissão e apontar eventuais responsabilizações, mas a extensão das pendências alimenta críticas sobre a profundidade que a investigação conseguirá alcançar.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.