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Vivemos tempos difíceis. Quem faz alguma coisa é atacado; quem não faz nada dá lição. A caminhada de Nikolas Ferreira virou alvo de críticas não porque fosse irrelevante – pois não é –, mas justamente porque escancarou, com brutal simplicidade, o abismo que separa a ação concreta da crítica confortável.
Mais do que protesto, a caminhada é um imperativo moral, entendido como um princípio racional incondicional que obriga alguém a agir não por interesse pessoal, mas porque é a coisa certa a fazer. É o grito de quem não tolera as barbáries sendo cometidas, principalmente contra o povo. A caminhada realizada pelo deputado Nikolas Ferreira pode ser compreendida nesse registro – e é essa leitura que ajuda a explicar a intensidade das reações que provocou.
A salvação não virá por decreto nem por milagre vindo de cima, e muito menos de fora. Ela virá da resistência democrática organizada de quem se recusa a ser vassalo. Ela virá, principalmente, da consciência cívica de eleitores que fazem valer seu voto
O que há de errado em um deputado sair do gabinete e ir às ruas? Absolutamente nada. Ao contrário. Isso se chama política. Política real, feita fora do ar-condicionado, nas ruas, onde está o povo. Aliás, todos os parlamentares deveriam fazer isso; seria um excelente aprendizado.
Dizer que a caminhada é “marketing”, “teatro” ou “encenação” é o tipo de crítica preguiçosa e, muitas vezes, de má-fé, que substitui pensamento por ironia barata. É fácil. Não exige argumento, não exige proposta, não exige ação, não exige esforço. Vem, com certeza, de quem jamais teria a fibra moral para fazer algo parecido. Até porque, se saíssem às ruas, logo perceberiam como o povo realmente os vê.
Nikolas Ferreira não surgiu por geração espontânea. Foi eleito, ganhou projeção e influência porque fala com gente de verdade. Isso se constrói com presença, insistência e disposição para o desgaste. Quem não suporta desgaste e não quer “pagar o preço” costuma chamar isso de populismo.
E de onde vem a crítica? A maioria das vozes mais estridentes vem do mesmo lugar: a tal “esquerda caviar”, integrada ao sistema de poder que hoje domina o país – política, mídia, academia, aparato estatal. Gente que fala protegida por cargos e verbas. Gente que não corre risco algum. São os mesmos que relativizam censura, defendem regulações vagas e tratam a palavra livre como ameaça à democracia. Para esse grupo, liberdade só é aceitável quando confirma a narrativa dominante.
Esses críticos, além de não fazerem nada melhor, nem sequer algo semelhante, ainda se permitem posar de fiscais morais da política alheia. Daí a pergunta inevitável, que nenhum deles responde: você tem feito algo melhor, ou minimamente igual, em defesa da liberdade e da democracia?
Onde está a ação concreta? Onde está o sacrifício pessoal? Não está em lugar nenhum. Eles sabem que, se saírem às ruas, serão execrados. Criticar estando protegido pela segurança do sistema não é coragem. É comodidade.
Caminhadas sempre tiveram peso político. Elas representam persistência, proximidade e enfrentamento sem violência. Fingir que isso é irrelevante não é sofisticação intelectual; é desonestidade.
E não há nenhuma surpresa nessa crítica. Uma caminhada que envolve fala direta, contato físico e comunicação sem mediação fere de morte o monopólio que o sistema tenta impor. Quando alguém fala com o povo sem pedir licença aos autoproclamados donos da verdade, o sistema reage. Sempre reage.
É por isso que a caminhada incomoda tanto. Não porque seja teatral, pois não é, mas porque rompe a passividade esperada. Porque transforma indignação em presença. Porque traduz discurso em gesto. Porque reafirma, na prática, que ainda há quem entenda a política como dever moral. Democracia não é consenso imposto nem silêncio disciplinado. É conflito aberto de ideias, presença e disputa. Não é concessão do Estado; é conquista.
Quando as instituições falham e a Constituição se torna papel descartável, o povo precisa lembrar aos seus representantes: o poder emana daqui. E como fazer a voz do povo ecoar nos corredores do poder em um país de dimensões continentais, onde Brasília foi estrategicamente isolada das grandes massas?
Uma iniciativa capaz de fazer a diferença é o aplicativo Voto Direto, do Instituto Soberania. Por meio dele, os cidadãos de todo o país votam nas proposições que tramitam no Congresso. Com ele, a voz do eleitor chegará a Brasília com força e clareza. É “democracia direta” funcionando na prática.
A salvação não virá por decreto nem por milagre vindo de cima, e muito menos de fora. Ela virá da resistência democrática organizada de quem se recusa a ser vassalo. Ela virá, principalmente, da consciência cívica de eleitores que fazem valer seu voto. A tecnologia nos deu as ferramentas. A indignação nos deu a motivação. Agora é agir. Esse é o desafio que se coloca para todos nós.
Rubens C. Lamel é executivo de negócios internacionais e presidente do Instituto Soberania.
Conteúdo editado por: Jocelaine Santos



