A conversa entre Tarcísio e Bolsonaro que ajudou a definir a reeleição

Governador de São Paulo foi questionado pelo ex-presidente em setembro sobre a vontade ou não de disputar a Presidência da República em 2026

  • Por Beatriz Manfredini
  • 10/02/2026 08h00
Wilton Junior/Estadão Conteúdo O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) (E), visita nesta segunda-feira, 29, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está em prisão domiciliar em Brasília. Tarcísio visitou Bolsonaro em prisão domiciliar com tensão sobre candidatura.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), foi questionado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em setembro sobre a vontade ou não de disputar a Presidência da República em 2026. A conversa, segundo interlocutores, ocorreu no final de setembro de 2025, na penúltima visita de Tarcísio ao aliado, quando ainda estava preso em regime domiciliar. O filho do ex-presidente, agora pré-candidato à vaga, senador Flávio Bolsonaro (PL), estava presente.

À pessoas próximas, Tarcísio contou que respondeu que tinha preferência em permanecer em São Paulo, disputando a reeleição ao Palácio dos Bandeirantes. Entre os fatores que justificaram a decisão, o governador afirmou que tem um projeto de longo prazo para o Estado, com obras e entregas e que a família, especialmente os filhos, estavam bem adaptados no Estado.

Nos corredores do Bandeirantes, o chefe do Executivo paulista também teria dito que não sentia que os caminhos estavam se abrindo para uma disputa presidencial como uma “missão”. No entendimento de Tarcísio, se fosse para acontecer, seria algo fácil, sem tantos entraves, resistências e dificuldades – como entendeu que vinha enfrentando.

Ele chegou a dizer em conversas reservadas que não fazia sentido abrir mão da reeleição, em quem tem um cenário altamente favorável no maior colégio eleitoral do país, com grande aprovação e muitas chances de vitória, para disputar o incerto. Um embate com o presidente Lula (PT) é visto por aliados como difícil e imprevisível. Além disso, pesou a Tarcísio o fato de entender que, apesar do favoritismo em alguns setores, como da Faria Lima, isso não o faria ser eleito nacionalmente.

A leitura do governador de “missão” foi entendida por alguns aliados como “perda de timing”. Para muitas pessoas próximas, Tarcísio esperava ser “ungido” à Presidência, sem fazer exatamente força política para tal.

Dois meses depois da conversa com Bolsonaro, Flávio, o filho “01” anunciou que foi ele o escolhido pelo pai para representá-lo na disputa pelo Palácio do Planalto.

NOVO ENCONTRO EM JANEIRO

Em janeiro de 2026, no dia 29, Tarcísio voltou a se reunir com Bolsonaro. Dessa vez, o ex-presidente já estava preso em regime fechado, na Papudinha. Essa conversa já foi focada em São Paulo. Foi ali que Tarcísio sugeriu, por exemplo, um nome mais de centro ao Senado. 

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.