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A pressão dos Estados Unidos para derrubar o regime ditatorial de Nicolás Maduro na Venezuela remonta ao governo do ex-presidente Hugo Chávez, morto em 2013, mas se intensificou a partir de 2017, ainda durante o primeiro mandato do presidente Donald Trump.
Se naquele período a tentativa de retirar Maduro do poder se concentrava em medidas econômicas e diplomáticas, no atual governo Trump ações militares se impuseram, principalmente com base nas acusações de que o regime promove a entrada de drogas no território americano.
Relembre, nesta breve reportagem, os principais fatos que marcaram a relação conflituosa dos EUA com a Venezuela no período mais recente, bem como a reação do Brasil aos fatos mais marcantes.
2017-2018: início das sanções econômicas e isolamento da Venezuela sob Maduro
No início do primeiro mandato, Trump assinou as primeiras ordens executivas restringindo o acesso da Venezuela aos mercados financeiros dos EUA e proibindo a compra de dívida pública venezuelana e da estatal petrolífera PDVSA. O objetivo anunciado era punir o regime pela repressão a protestos e pela criação da Assembleia Nacional Constituinte, vista como um golpe contra o Legislativo eleito.
Em resposta, Maduro acusou os EUA de uma deflagrar uma “guerra econômica” para asfixiar o povo e buscou apoio financeiro e técnico na Rússia e na China. No Brasil, o governo do presidente Michel Temer endureceu o discurso e apoiou a suspensão da Venezuela do Mercosul por violação da cláusula democrática.
2019: reconhecimento de Guaidó e apoio à insurreição contra Maduro
Em janeiro de 2019, os EUA foram os primeiros a reconhecer o líder oposicionista Juan Guaidó como presidente interino. Em abril, Washington apoiou abertamente uma tentativa de levante militar liderada por Guaidó e Leopoldo López, na chamada Operação Liberdade. A finalidade era forçar uma ruptura na cúpula militar venezuelana para provocar a queda de Maduro “por dentro”, mas a estratégia fracassou.
O regime de Maduro classificou o ato como “tentativa de golpe de Estado imperialista” e rompeu relações diplomáticas totais com os EUA. No Brasil, Jair Bolsonaro havia acabado de assumir a Presidência, e bastante alinhado com Trump, reconheceu Guaidó como presidente e permitiu a instalação de uma embaixada paralela em Brasília.
Com a permanência de Maduro no poder, manteve relação distante com o regime, mas reforçou a operação de acolhida de refugiados venezuelanos na fronteira com Roraima.
2020: indiciamento de Maduro por narcoterrorismo e operação naval
No último ano do primeiro mandato de Trump, o Departamento de Justiça dos EUA indiciou Maduro e altos funcionários por narcoterrorismo, oferecendo US$ 15 milhões pela sua captura. Paralelamente, Trump lançou a maior operação naval antidrogas no Caribe desde a invasão do Panamá, em 1989, por motivos muito semelhantes.
Na nova ofensiva, o objetivo era criminalizar a cúpula chavista, acusada de integrar o Cartel dos Sóis, e justificar a presença militar constante perto das águas venezuelanas. O plano foi atenuado com a derrota de Trump para Joe Biden.
Maduro chamou Trump de “cowboy racista” e acusou os EUA de fazer a incursão de “mercenários” americanos na costa venezuelana, na chamada Operação Gideon, que seria a primeira tentativa de capturar Maduro com ex-soldados de forças especiais americanas. Oito deles foram mortos por militares venezuelanos na cidade costeira de Macuto e dezenas foram capturados e presos em Caracas.
O Brasil reforçou a vigilância na fronteira, mas militares brasileiros mantiveram canais discretos de comunicação com generais venezuelanos para evitar acidentes.
2025: retorno de Trump e escalada militar contra Maduro
Com o retorno de Trump à Casa Branca em janeiro de 2025, a política de “alívio” de Biden foi revogada. O Secretário de Estado, Marco Rubio, declarou que o regime “enganou” o governo anterior e que a paciência de Washington havia acabado.
A disputa por Essequibo, na Guiana, e a fraude eleitoral de 2024 serviram de justificativa para uma nova escalada. O controle das maiores reservas de petróleo do mundo retornou ao centro da agenda de segurança nacional.
Maduro reagiu decretando “economia de guerra” e fortaleceu alianças militares com o Irã, recebendo drones e tecnologia de defesa. Sob o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governo brasileiro, que tentara mediar o diálogo entre 2023 e2024, viu-se isolado. O Itamaraty passou a criticar a “militarização do Caribe” pela Marinha dos EUA.
Dezembro de 2025: ataques de drones e bloqueio total
Em dezembro de 2025, os EUA intensificaram ataques cirúrgicos contra barcos e infraestruturas portuárias ligadas ao tráfico de drogas e ao transporte clandestino de petróleo. O porta-aviões USS Gerald R. Ford foi posicionado ao largo de Caracas.O objetivo é desmontar a logística de sobrevivência econômica do regime. Trump aumentou a recompensa por Maduro para US$ 50 milhões.
Em reação, a Venezuela bloqueou fronteiras terrestres, incluindo com o Brasil, e mobilizou milícias populares. Maduro denunciou o uso de inteligência artificial pelos EUA em “campanhas de desinformação” sobre os ataques.
O ministro da Defesa do Brasil, José Múcio, classificou a situação como uma “briga de vizinho” perigosa. O Brasil assinou um documento conjunto com a maioria dos países da América Latina expressando “extrema preocupação” com a presença de bombardeiros B-52 e navios de guerra na região.