Política

A mansão dos sonhos de Joesley

Depois de ter sido preso, acusado de corrupção durante a Lava Jato, ele retomou os negócios e os contatos no meio político

Joesley Batista mansão Abílio Diniz
Joesley Batista tem duas empresas listadas na bolsa nos EUA | Foto: Reprodução/Instagram

O empresário Joesley Batista, 53 anos, comprou a mansão em que morava Abílio Diniz, no Jardim América, em São Paulo, por R$ 250 milhões, segundo o jornal O Globo. Foi mais uma iniciativa tomada pelo empresário desde que ele retomou as grandes negociações empresariais e voltou a circular com desenvoltura no meio político.

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Joesley Batista foi acusado, a partir de 2017, na Lava Jato, entre outras, de corrupção ativa, organização criminosa e lavagem de dinheiro, ao admitir, em acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República, o pagamento de propinas a políticos e agentes públicos para obter vantagens ao grupo J&F.

Ele permaneceu preso por cerca de seis meses, até ser solto em 9 de março de 2018, por decisão da Justiça Federal, que apontou excesso de prazo na prisão cautelar e impôs medidas restritivas, como a retenção do passaporte.

Desde então, apesar do abalo em sua imagem e dos acordos de leniência firmados pelo grupo, a JBS, controlada pela J&F, manteve suas operações, preservou sua presença internacional e voltou a registrar expansão dos negócios nos anos seguintes. Joesley passou a alimentar um sonho. Queria convencer a todos que este passado recente ficou para trás.

A Âmbar Energia, empresa do grupo J&F voltada ao setor elétrico, ampliou seu portfólio de geração com ativos hidrelétricos, solares e térmicos, passando a ocupar posição relevante entre os grupos privados do setor no Brasil.

Outra empresa do conglomerado, a Fluxus, foi criada em 2023 para atuar no setor de óleo e gás, marcando a entrada formal do grupo nesse segmento, como parte da estratégia de diversificação na área de energia.

A JBS havia comprado a norte-americana Pilgrim’s em 2009, movimento que ajudou a transformar a companhia na maior empresa de carnes do mundo e consolidar sua atuação nos Estados Unidos (EUA).

Nesse cenário, Joesley manteve relações com o então presidente dos EUA, Donald Trump. Uma subsidiária norte-americana do grupo fez uma doação de US$ 5 milhões ao comitê de posse do republicano.

Duas empresas ligadas ao grupo têm ações negociadas na bolsa de valores dos EUA. A JBS migrou seus papéis da B3 para a NYSE recentemente. O PicPay também passou a ter ações listadas no mercado americano.

Tudo isso contribuiu em sua meta de para “apagar”, ao longo do tempo, a imagem associada à delação premiada firmada quase uma década atrás. Em setembro passado, Joesley atuou como interlocutor em contatos entre Brasil e EUA, que resultaram na retirada de tarifas anunciadas por Trump. Com investimentos na Venezuela, também participou de tratativas envolvendo a crise venezuelana, com reuniões tanto com o ditador Nicolás Maduro, antes da queda, quanto com Delcy Rodríguez.

Joesley na mansão de Abílio

Abílio Diniz construiu um dos maiores grupos varejistas do país, o Grupo Pão de Açúcar, tornou-se uma das figuras mais conhecidas do empresariado brasileiro e enfrentou crises econômicas, disputas familiares e concorrência internacional. Foi vítima de um sequestro durante as eleições de 1989. Quando morreu, aos 87 anos, em 2024, sua imagem pública era de credibilidade.

Nascido em uma família humilde, Abílio viveu na Rua Vergueiro, em São Paulo, durante a infância. Viu o pai iniciar os negócios na Rua Tutoia e, já milionário, mudou-se para a mansão nos Jardins, com um grande jardim frontal e árvores centenárias.

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Costumava frequentar a Igreja São José, na Rua Dinamarca, nas proximidades de sua residência. “Costumo dizer que não tenho nada especial que me diferencie dos outros, a não ser a força da minha fé em Deus”, afirmou em entrevista à Folha de S.Paulo, em 2017.

Joesley Batista cresceu no ambiente rural de Formosa (GO), aprendendo desde cedo o ofício do pai, José Batista Sobrinho, o Zé Mineiro, fundador da Friboi. A aquisição da mansão nos Jardins é uma tentativa de acrescentar, à própria trajetória, um símbolo de inserção no espaço mais tradicional do empresariado paulista.

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