A seleção brasileira de 1994 foi um dos grupos mais unidos e fechados da história
Os jogadores e a comissão técnica dividiram igualmente a premiação pela conquista do tetra
Na Copa de 1990, na Itália, a CBF cometeu muitos erros de organização. Na última hora, por exemplo, foi fechado um patrocínio com uma companhia de refrigerantes. Irritados, os jogadores, que não receberam nenhum tostão a mais pelo novo acordo, apareceram na foto oficial tampando o logotipo da empresa. Dentro de campo, a equipe comandada por Sebastião Lazaroni naufragou no mundial e foi eliminada pela Argentina, nas oitavas.
A correção dos erros do passado foi fundamental para a conquista do tetracampeonato, em 1994, nos Estados Unidos. Assim que os atletas e a comissão técnica chegaram à concentração em Los Gatos, na Califórnia, foi feita uma reunião para traçar as diretrizes de comportamento, discutir regras e a criação de uma espécie de “cartilha”. O goleiro Zetti considerou essa reunião fundamental para os objetivos da seleção na Copa: “Eu me lembro que nós chegamos e nem fomos para o jantar, seguimos direto para um auditório. Ali, já se definiu qual seria a função de cada um, como todos nós iríamos nos comportar”.
O grupo debateu temas como a rotina de treinos e até a remuneração, em caso de conquista. O roupeiro, o cozinheiro, o técnico e os jogadores iriam ganhar valores iguais de salário e de premiação. Zetti se lembra de uma exigência curiosa de Romário: “Não vai ter diferença pra ninguém aqui. Só que é o seguinte: ‘se eu [Romário] precisar comer um ovo às duas horas da manhã, eu vou cobrar, mas me cobra dentro de campo depois’”. Os jogadores que tinham disputado a Copa de 1990 contaram sobre as próprias experiências e destacaram quais erros não poderiam se repetir.
Houve, por exemplo, uma recomendação para que as famílias não fossem levadas aos Estados Unidos e, caso viajassem, não teriam acesso ao hotel da seleção, ao contrário do que tinha ocorrido em 1990. O Jornal dos Sports informou: “Zinho, Jorginho, Müller e Paulo Sérgio, esses levaram apenas suas bíblias. São ‘Atletas de Cristo’ e estão sempre lendo e rezando. Se depender da fé, o Brasil será tetra […]”. A publicação ainda lembrou que Denise, esposa de Bebeto, e Beatriz, mulher de Leonardo, estavam grávidas, com os partos previstos para os próximos dias.
O grupo de 1994 se fechou em torno do objetivo de tirar a seleção brasileira da incômoda fila de 24 anos sem conquistas de Copa do Mundo. Felizmente, tudo deu certo!
*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.