Acordem: Trump não é o Rambo do mundo

O recuo de Trump mostra que o presidente americano não se importa com os rumos do Brasil

  • Por Alan Ghani
  • 31/12/2025 14h54 - Atualizado em 31/12/2025 14h54
Andrew Caballero-Reynolds/AFP O presidente dos EUA, Donald Trump, responde a perguntas de jornalistas após anunciar a nova iniciativa "Golden Fleet" da Marinha dos EUA O presidente dos EUA, Donald Trump, responde a perguntas de jornalistas após anunciar a nova iniciativa "Golden Fleet" da Marinha dos EUA, revelando uma nova classe de navios de guerra, em Mar-a-Lago, em Palm Beach, Flórida, em 22 de dezembro de 2025. Trump anunciou uma nova classe de navios de guerra fortemente armados que serão nomeados em sua homenagem — uma honra normalmente reservada para presidentes dos EUA que já deixaram o cargo. Inicialmente, dois dos navios da classe Trump serão construídos, mas esse número pode crescer substancialmente no futuro, segundo o presidente, que afirmou que serão "alguns dos navios de guerra de superfície mais letais" e "o maior encouraçado da história do nosso país". Trump fez o anúncio em sua residência em Mar-a-Lago, na Flórida, ao lado do chefe do Pentágono, Pete Hegseth, do secretário de Estado, Marco Rubio, e do secretário da Marinha, John Phelan, com imagens dos navios planejados em exibição ao lado

Em entrevista ao portal BBC News Brasil, ex-embaixador americano John Feeley disse que Trump abandonou Bolsonaro porque não gosta de colar a sua imagem a “um perdedor”.

O recuo de Trump mostra que o presidente americano não está nem aí para os rumos da democracia brasileira. Na verdade, Trump apenas utilizou Bolsonaro para ter mais uma justificativa para seu tarifaço.

Com relação à aplicação da Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF, Trump provavelmente atendeu a um pedido deu seu secretário de Estado, Marco Rubio. Nesse caso, o republicano teria mais um instrumento de pressão geopolítica numa negociação com o Brasil.

Certamente, a revogação das sanções ao ministro Alexandre de Moraes, e de tarifas protecionistas para quase 900 produtos, veio a um custo: provavelmente a possibilidade de os EUA explorarem terras raras no Brasil e Lula ser um interlocutor capaz de convencer Maduro a deixar o poder, o que para Trump seria uma baita vitória – a queda do regime venezuelano sem o ônus político, financeiro e humanitário de uma operação militar.

Fica evidente que Trump está defendendo os seus interesses e não age como um “Rambo do mundo” para salvar a democracia ocidental, como parte da direita brasileira ingenuamente acreditou.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.