Acordo União Europeia-Mercosul: um respiro na globalização
Por conta da crise mundial de Covid-19 e do conflito no leste europeu, vários países, por razões estratégicas, decidiram trazer suas indústrias para mais perto
Desde o seu primeiro mandato, Trump tentou redesenhar o comércio internacional com a adoção de tarifas protecionistas. No entanto, à época, não tinha apoio suficiente para seguir com seu objetivo.
A partir daquele momento, a globalização dava os primeiros sinais de estar ameaçada. Não demorou muito para a globalização tomar o seu segundo golpe: a pandemia e a guerra entre Rússia e Ucrânia.
Por conta da crise mundial de Covid-19 e do conflito no leste europeu, vários países, por razões estratégicas, decidiram trazer suas indústrias para mais perto.
É claro que produzir internamente, muitas vezes é mais custoso. Mas, por outro lado, não há o risco de disrupção de cadeias produtivas, no caso de uma nova pandemia, ou barganhas econômicas relacionadas a conflitos geopolíticos. Com a guerra na Ucrânia, a Europa entendeu que não poderia mais depender tanto do gás natural da Rússia.
Com esses episódios, a desaceleração da globalização entrou em curso, dando espaço para um novo conceito: a fragmentação comercial. Se havia uma esperança de que esse processo fosse revertido; em 2025, Trump no “Liberation Day” sepultou de vez essa possibilidade, iniciando uma guerra tarifária contra vários países do mundo, principalmente com a China.
Infelizmente, um mundo menos globalizado significa elevação de preço de mercadorias e aumento da pobreza. A experiência internacional e a evidência acadêmica comprovam essa afirmação.
Porém, a esperança para a retomada da aceleração da globalização veio de onde menos se esperava: de um acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia.
Se, de fato, esse acordo for implementado significa que os países do Mercosul poderão importar bens de consumo dos países europeus a preços competitivos, o que agrada evidentemente os consumidores do bloco latino. Além disso, empresários brasileiros poderão comprar tecnologia de países europeus para desenvolver a indústria nacional.
Por outro lado, o mercado europeu ganha com alimentos mais baratos para seus consumidores e com a importação de outros itens, como aviões (Embraer) e motores (Weg).
Mesmo que setores de ambos os blocos saiam prejudicados no curto prazo, o saldo é mais que positivo para a população. A globalização costuma trazer mais renda, menos pobreza e menos inflação para os envolvidos. O livre comércio respira.
*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.

