Advogada critica laudo usado por STF e denuncia risco de morte de preso do 8/1
Condenado a 16 anos de prisão, Clayton Nunes está detido desde janeiro de 2023 e sofre de doença grave com imunossupressão; defesa aponta falhas em perícia

Durante entrevista ao Jornal da Oeste, Primeira Edição, a advogada Valquíria Durães afirmou que o réu do 8 de janeiro Clayton Nunes corre risco real de morte no sistema prisional. Segundo a defesa, laudos médicos foram desconsiderados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que negou pedido de prisão domiciliar com base em um exame pericial considerado insuficiente. Clayton foi condenado a 16 anos de prisão em fevereiro do ano passado.
Laudo médico alerta para risco de óbito
A advogada afirmou que o réu sofre de psoríase, uma doença imunológica grave, diagnosticada ainda na infância, e acompanhada há anos por médica do Hospital Universitário de Brasília. “[A médica dele] laudou que ele corre risco de vir a óbito”, afirmou Durães.
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Segundo Valquíria, o laudo foi encaminhado ao STF, que determinou uma avaliação pelo Instituto Médico Legal (IML). A defensora criticou a forma como o exame foi realizado: “O médico do IML ficou cinco minutos com o Clayton em uma sala, pediu ao Clayton só para baixar as calças e levantar a blusa, não tocou no Clayton, não pediu o prontuário do Clayton e contestou o laudo da médica.”
Ainda assim, o parecer do IML foi acolhido pela Corte. “O ministro Alexandre de Moraes , assim como o PGR e o [Paulo] Gonet decidiram acatar o laudo do IML e não deram a [prisão] domiciliar para o Clayton.”
Defesa denuncia cela superlotada e atraso de medicação
Valquíria relatou que Clayton divide cela com outros 18 presos, convive com detentos portadores de doenças infectocontagiosas e dorme no chão do banheiro. A medicação prescrita, segundo ela, reduz drasticamente a imunidade do paciente. “Ele tem que estar no local limpo, porque essa medicação faz com que a imunidade dele vai a zero”, destacou. A advogada afirmou ainda que a aplicação do medicamento está atrasada há cerca de um mês.
O ministro Alexandre de Moraes concedeu prazo de 48 horas para que o Presídio da Papuda encaminhe ao STF o prontuário médico de Clayton Nunes atualizado.
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