Amistoso contra a Áustria, em abril de 1970, definiu a seleção titular na Copa

A vitória por 1 a 0, com gol de Rivellino, ajudou Zagallo a decidir sobre as últimas posições

  • Por Thiago Uberreich
  • 08/01/2026 07h00
ARQUIVO/ESTADÃO CONTEÚDO Time posado da Seleção do Brasil que enfrentou a Inglaterra no estádio Jalisco, no México México, Guadalajara, 07/06/1970. Time posado da Seleção do Brasil que enfrentou a Inglaterra no estádio Jalisco, no México. Da esquerda para a direita, de pé: Carlos Alberto; Brito, Piazza, Félix, Clodoaldo e Everaldo. Agachados: Jairzinho, Rivelino, Tostão Pelé e Paulo Cesar Caju.

Em 1969, a seleção, ainda treinada por João Saldanha, conseguiu a classificação para a Copa, sem dificuldades. Entretanto, a confiança da torcida ficou abalada com a demissão do técnico no começo do ano seguinte. Mário Jorge Lobo Zagallo foi anunciado como substituto quando faltavam 78 dias para a estreia da equipe, no México. 

O novo treinador tinha dúvidas sobre a escalação do time ideal que iria tentar o tricampeonato. Zagallo teimava em dizer que Pelé e Tostão não poderiam jogar juntos e os torcedores vaiavam o time nacional a cada amistoso. Em um jogo contra a seleção “B” da Bulgária, no Morumbi, que terminou sem gols, o técnico começou jogando com Tostão e, pasmem, deixou Pelé no banco de reservas! 

No segundo tempo, o Rei entrou em campo, mas o treinador tirou Tostão. O técnico também insistia com Paulo Cézar Caju na ponta esquerda, que, naquele jogo contra os búlgaros, levou uma das maiores vaias da carreira. A torcida paulista queria Rivellino ou Edu pela esquerda. Riva entrou durante a partida, mas no lugar de Clodoaldo. Zagallo também não se decidia pela escalação de Jairzinho ou de Rogério.  

A formação definitiva da seleção para a Copa se deu praticamente no último amistoso antes do embarque para o México. Em 29 de abril, o Brasil venceu a Áustria por 1 a 0, no Maracanã, com gol de Rivellino. Dois dias antes, Zagallo tinha feito cortes na equipe. “Leão é excelente goleiro, mas é muito novo; Ado é mais velho e tem mais experiência e tranquilidade. Dirceu Lopes é um craque, mas não se adaptou ao meu esquema; Zé Carlos também é bom jogador, mas com tanto jogador de meio de campo, era preciso dispensar um ou dois. E Arilson não conseguiu livrar-se da inibição que o caracterizou desde o início dos treinos”, declarou Zagallo ao jornal Folha de S. Paulo.

Contra a Áustria, eis a escalação: Félix; Carlos Alberto, Brito, Piazza e Marco Antônio; Clodoaldo e Gérson; Rogério (Jairzinho), Tostão, Pelé e Rivellino (Dario). Na Copa do Mundo, o titular da lateral esquerda foi Everaldo e o da ponta direita, Jairzinho. Já Rogério, do Botafogo, viajou para o México, mas se contundiu. Como era muito querido pelos companheiros, foi convidado a permanecer com a seleção e trabalhar como “olheiro”, um observador das equipes adversárias. O técnico Zagallo ainda tinha tempo para completar a lista de convocados e resolveu chamar novamente Emerson Leão, o terceiro goleiro da equipe. A convocação dele teria sido um pedido de Félix, titular da posição, e de Ado, reserva imediato do camisa 1.

A campanha da seleção brasileira com Zagallo até a estreia, no México, foi a seguinte: 

22.03 – Brasil 5×0 Chile – Morumbi
26.03 – Brasil 2×1 Chile – Maracanã
05.04 – Brasil 4×1 Seleção Amazonense – Manaus
12.04 – Brasil 0x0 Paraguai – Maracanã
19.04 – Brasil 3×1 Seleção Mineira – Mineirão
26.04 – Brasil 0x0 Bulgária – Morumbi
29.04 – Brasil 1×0 Áustria – Maracanã
06.05 – Brasil 3×0 Deportivo Guadalajara – Jalisco
17.05 – Brasil 5×2 Deportivo León – León
24.05 – Brasil 3×0 Irapuato – Irapuato

A seleção embarcou para o México em 1º de maio, 30 dias antes do início da Copa. A sequência da história já é conhecida. Em 21 de junho de 1970, o capitão Carlos Alberto Torres recebeu das mãos do presidente mexicano a taça Jules Rimet. 

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.