Após acusação, Buzzi envia carta a ministros do STJ: ‘Demonstrarei minha inocência’

CNJ confirmou que recebeu nova denúncia de importunação sexual contra o ministro nesta segunda-feira (9)

  • Por Victor Trovão e Igor Damasceno
  • 10/02/2026 09h48 - Atualizado em 10/02/2026 09h59
Divulgação / STJ Ministro Marco Buzzi - Foto: Arquivo/Sérgio Amaral/STJ Na semana passada, o Conselho recebeu a primeira denúncia contra Marco Buzzi.

O ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Marco Buzzi enviou uma carta aos demais ministros da Corte na qual nega as acusações de importunação sexual. No documento, ele afirma confiar nos procedimentos já instaurados e diz que eles irão “demonstrar sua inocência” (leia mais abaixo na íntegra).

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) confirmou nesta segunda-feira (9) que recebeu uma nova denúncia de importunação sexual contra o ministro. Segundo o CNJ, a vítima foi ouvida pela corregedoria-nacional de Justiça, que abriu nova reclamação disciplinar para apurar a denúncia. O procedimento está em segredo de Justiça e o afastamento dele não está descartado.

Na semana passada, o Conselho recebeu a primeira denúncia contra Marco Buzzi. Uma jovem de 18 anos, que é filha de um casal de amigos do ministro, o acusa de tentar agarrá-la durante um banho de mar.

Caso é analisado pelo CNJ

Na semana passada, o órgão informou que foram colhidos depoimentos sobre o primeiro caso. O caso está em tramitação na Corregedoria Nacional de Justiça, em sigilo, para preservar a “intimidade e integridade da vítima”. Se for condenado, Buzzi pode sofrer sanções administrativas, que vão de advertência à aposentadoria compulsória.

A mãe da vítima, uma advogada renomada, também procurou ministros do STJ para relatar o episódio. Um integrante da Corte disse não haver disposição dos colegas em proteger Buzzi. Os pais da jovem ainda estiveram com o juiz auxiliar do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin.

Quem é Marco Buzzi

Natural de Timbó, Santa Catarina, Marco Aurélio Gastaldi Buzzi nasceu em 4 de fevereiro de 1958. O ministro graduou-se em direito, em 1980. Dois anos depois, ingressou na magistratura após aprovação em concurso público. Em 2002, foi promovido a desembargador do Tribunal de Justiça de Santa Catarina. Ele foi indicado ao STJ, em 2011, pela ex-presidente Dilma Rousseff.

Segundo nota divulgada pelo ministro, as acusações não correspondem aos fatos. “O ministro Marco Buzzi informa que foi surpreendido com o teor das insinuações divulgadas por um site, as quais não correspondem aos fatos. Repudia, nesse sentido, toda e qualquer ilação de que tenha cometido ato impróprio”, afirmou.

Conforme a Jovem Pan mostrou, após as acusações, o ministro Buzzi apresentou atestado médico para se afastar e está licenciado das atividades. Procurada pela reportagem, a Corte confirmou a informação noticiada pelo portal g1, mas não detalhou o diagnóstico, nem o tempo que o magistrado ficará afastado.

Leia a carta na íntegra 

“Caros colegas,

Muito impactado com as notícias veiculadas e também por me encontrar internado em hospital, sob acompanhamento cardíaco e emocional, até o momento estive calado.

De modo informal soube de fatos contra mim imputados, os quais igualmente repudio.

Tudo está causando mágoas às pessoas da minha família e convivência.

Creio que nos procedimentos já instauradas demonstrarei minha inocência.

Tenho quase 70 anos de idade, trajetória pessoal e profissional ilibadas, casamento feliz, de 45 anos, que frutificou três filhas amorosas e minha família está coesa ao meu lado.

Jamais adotei conduta que envergonhasse a família ou maculasse a magistratura.

Esse histórico não é invocado como prova de inocência, mas como elemento relevante de coerência biográfica, o que clama por cautela redobrada na apreciação das graves acusações.”