Arquidiocese do Rio chama de 'ofensiva' alegoria contra a família no desfile pró-Lula
Igreja Católica divulgou nota nesta quarta-feira, 18, na qual pediu respeito às convicções religiosas

A Arquidiocese do Rio de Janeiro divulgou nota pública nesta quarta-feira, 18, na qual se manifestou sobre o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que representou famílias dentro de latas de conserva. Uma das alas da escola, que homenageou o presidente Lula, apresentou a crítica à “família tradicional”. Evangélicos e políticos da direita criticaram o desfile, e alguns prometeram ações na Justiça por ofensa à crença religiosa.
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Já a Arquidiocese do Rio, sem mencionar a escola, fez uma crítica ampla sobre o uso de “símbolos da fé cristã e da instituição familiar em manifestações culturais de maneira que compreendemos como ofensiva”.
Na nota, a arquidiocese afirma que as manifestações culturais devem respeitar “convicções religiosas profundas e valores que estruturam a vida social e são invioláveis para as pessoas desta cidade”.
A nota afirma que a Igreja Católica trabalha com famílias e acolhe “as diferentes realidades em que se empenham para permanecer unidas, educar seus filhos no bem e transmitir valores que contribuem para uma sociedade mais justa e fraterna”. “Quando a família permanece um elemento central e estruturante da vida social, essencial para a convivência e o bem-estar da sociedade.”
A arquidiocese afirma, por fim, que a liberdade de expressão deve caminhar “lado a lado com responsabilidade e respeito mútuo”.
Ainda na terça-feira 17, a Ordem dos Advogados do Brasil do Rio de Janeiro divulgou nota na qual classificou o desfile da Niterói como “intolerância religiosa”.
Leia a nota da Arquidiocese do Rio na íntegra
A Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro manifesta sua preocupação a respeito da utilização de símbolos da fé cristã e da instituição familiar em manifestações culturais de maneira que compreendemos como ofensiva.
Reconhecemos a cultura popular como expressão da identidade brasileira, espaço de criatividade, encontro e alegria. Ao mesmo tempo, é preciso que tais manifestações respeitem convicções religiosas profundas e valores que estruturam a vida social e são invioláveis para as pessoas desta cidade.
Reafirmamos nossa proximidade a todas as famílias, acolhendo as diferentes realidades em que se empenham para permanecerem unidas, educar seus filhos no bem e transmitir valores que contribuem para uma sociedade mais justa e fraterna. Quando a família permanece um elemento central e estruturante da vida social, essencial para a convivência e o bem-estar da sociedade.
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As religiões, presentes em toda a cidade, desempenham papel particular e relevante na promoção da solidariedade, da educação e do cuidado com os mais vulneráveis. A fé continua ocupando um lugar essencial na vida social, permanecendo viva, influente e fundamental na formação ética e moral da sociedade. Ataques ou desrespeito a ela atingem não apenas as instituições, mas também a consciência de milhões de cidadãos.
A alegria, vivida de forma saudável e respeitosa, é legítima e enriquece a vida cultural. Situações pontuais de desrespeito não representam a riqueza e a diversidade cultural da cidade, que devem ser sempre espaços de inclusão, diálogo e convivência democrática. Cabe lembrar que os eventos culturais possuem regulamentos próprios, que estabelecem limites para manifestações públicas. Esses limites existem não para cercear a liberdade de expressão, mas justamente à luz desse valor fundamental em uma sociedade democrática, garantindo o respeito à posição religiosa das pessoas e à dignidade da família.
Reafirmamos nosso compromisso com a defesa da fé, da dignidade da família, da liberdade religiosa, da liberdade de expressão e da construção de uma cultura de diálogo e paz. Direitos fundamentais como a liberdade de expressão caminham lado a lado com responsabilidade e respeito mútuo. O Rio de Janeiro é maior quando constrói pontes, promove a convivência respeitosa e reconhece que família, fé e cultura podem caminhar juntas na edificação de uma sociedade mais fraterna, madura e verdadeiramente democrática.

TUDO BEM… SÓ COM UNS 30 ANOS DE ATRASO….