Arroio Grande: deputados se manifestam a favor de família que teve filhos recolhidos
Parlamentares mobilizaram assessores e até advogados para dar suporte aos pais de Douglas Jr. e Sofia, que estão há 2 meses em um abrigo

Deputados federais têm se manifestado em relação ao caso das duas crianças retiradas dos pais por ordem da Justiça em 20 de novembro devido à ausência — justificada por laudos médicos — de vacinação no município de Arroio Grande (RS). Nenhum dos parlamentares que se manifestaram até este domingo, 15, é do Rio Grande do Sul.
“Não podemos permitir uma violência como essa e temos que dar todo apoio aos pais”, afirmou Bia Kicis (PL-DF) em entrevista ao Arena Oeste desta quinta-feira, 12. Ela afirma não ter tido acesso aos autos do processo, que está em sigilo de justiça, mas recorreu à imprensa e outros parlamentares para obter mais informações.
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“Tomei algumas providências, como conversar com algumas pessoas, como o deputado Carlos Jordy”, relatou. Bia, que é de Brasília, também pediu ao deputado Sanderson (PL-RS) que acompanhasse o caso, por ser do Estado onde o episódio se passa. “A gente está muito interessado nesse caso, porque ele é importantíssimo.”
Carlos Jordy (PL-RJ) foi o primeiro parlamentar com cadeira em Brasília a se manifestar sobre o caso. A mulher dele, Laís, investigou diretamente a situação. O casal estabeleceu contato com pessoas próximas às crianças e com Daniel Borges, presidente municipal do PL de Rio Grande (RS), cidade natal de Laís e próxima a Arroio Grande, pouco depois de a Justiça determinar o recolhimento das crianças.
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“Ele [Daniel] foi até o município de Arroio Grande para acompanhar de perto o que de fato estava acontecendo com as crianças. Basicamente, elas foram tiradas dos seus pais porque eles não vacinaram”, disse Laís, que narrou o restante do processo em conversa com Oeste. Daniel Borges foi intimado pela Justiça na última quarta-feira, 11, por comentar o caso nas redes sociais.
“Não tem como a criança ficar bem mentalmente separada dos pais”, afirmou Laís. “E o que eles [o Ministério Público] alegam, de que os pais cometiam abusos e um monte de coisas erradas, é mentira”, afirma. “É uma covardia o que estão fazendo com essas crianças. Tem várias provas, vários documentos. Eu fico com o coração na mão porque eu tô longe, eu não consigo fazer mais do que eu poderia e no momento as crianças estão lá.”
O deputado Marcos Pollon (PL-MT) se manifestou publicamente pela primeira vez no último dia 6. O envolvimento dele no caso, entretanto, começou bem antes. “Como é um caso muito, muito grave, muito sério, eu não manifestei enquanto não pedisse para o meu jurídico ir lá olhar”, afirmou. “Minha equipe jurídica lá do Rio Grande do Sul foi para a cidade, levantou informações, está analisando o processo.”
A Oeste, Daniel Borges e pessoas associadas à família das crianças confirmaram que os advogados do deputado prestaram assistência. “Existem indícios muito graves de irregularidade”, disse Pollon. “Nós vamos tomar as medidas judiciais cabíveis e, se for necessário, vamos também fazer um acompanhamento pessoalmente disso aí.”
O deputado afirma ter indícios que, uma vez confirmados, representam um conjunto de “muitas irregularidades” no processo. “Verificando a certeza do que nós apuramos, é fundamental o Estado devolve essas crianças o mais rápido possível e responder pelas responsabilidades de ter realizado essa subtração dessas crianças.”
A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) apresentou uma denúncia do caso no plenário da Câmara dos Deputados na última terça-feira, 10. “Não é a primeira vez que vemos tiranos com diploma de direito atropelando a autonomia médica e o direito das famílias”, escreveu em publicação no X. Ela mencionou um caso semelhante no município catarinense de Cunha Porã.
Damares levou caso de Arroio Grande ao Senado
A primeira menção ao caso das crianças de Arroio Grande em Brasília veio da senadora Damares Alves (Republicanos-DF). Ela apresentou uma denúncia à Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado no último dia 4.
Durante a sessão, Damares informou que a denúncia chegou acompanhada de documentação e relata problemas no processo que resultou na retirada das crianças do convívio dos pais, Douglas e Paola. Oeste acompanha o caso desde dezembro, pouco mais de um mês depois do recolhimento das crianças.




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