Banco Central: mercado vê risco de interferência política com Guilherme Mello
Possível indicação de economista do PT gera desconfiança na Faria Lima

O mercado financeiro reagiu com desconfiança nesta segunda-feira, 2, à possível indicação do economista Guilherme Mello para uma diretoria do Banco Central. O nome do atual secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda é o assunto central das reuniões matinais nas principais instituições financeiras, segundo informações da Folha de S.Paulo. O ministro Fernando Haddad apoia o nome de Mello e pretende encaminhar as indicações ao Senado antes de deixar o cargo.
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A pressão ocorre em um momento delicado para o Banco Central, que lida com os desdobramentos do caso Banco Master e prepara o início do ciclo de queda da taxa Selic. Atualmente em 15% ao ano, os juros devem começar a cair em março, depois de um ciclo de aperto monetário. Analistas avaliam que a escolha de Lula sinaliza uma tentativa de interferência direta do PT na autoridade monetária em meio à crise de confiança.
Mello possui formação heterodoxa e atuou como formulador do plano econômico de Luiz Inácio Lula da Silva. O economista já criticou publicamente a manutenção dos juros em patamares elevados. Para especialistas do setor, a chegada de um perfil partidário pode prejudicar a credibilidade conquistada por Gabriel Galípolo, atual presidente da autarquia, e reduzir o espaço para cortes seguros na Selic.
Impacto na credibilidade do Banco Central e no caso Master
Uma das cadeiras vagas no Banco Central é a diretoria de Organização do Sistema Financeiro. Essa área foi a responsável por propor a rejeição da compra do Master pelo BRB, decisão depois ratificada por unanimidade pelo colegiado. A substituição do antigo diretor por um nome com viés político levanta receios sobre a independência técnica da fiscalização bancária e a força de Galípolo no comando da instituição.
Economistas consultados pelo jornal afirmam que a indicação de Mello traria uma mudança radical na comunicação do Copom. Há o temor de que a Fazenda pressione por cortes agressivos nos juros, ignorando os riscos inflacionários. Esse cenário já provoca um movimento de alta nas taxas de juros futuros ao longo desta manhã, refletindo a piora na percepção de risco por causa da incerteza política.
A administração federal ainda precisa formalizar o convite e encaminhar o nome para sabatina no Senado. Caso a indicação se confirme, o mercado prevê uma deterioração adicional nos preços dos ativos brasileiros. A perda da autonomia técnica é vista como o principal risco para o controle da inflação nos próximos anos.
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