Política

Banco Central nega transparência em encontros entre Galípolo e Moraes sobre Master

Justificativa tem base em possíveis ameaças à segurança do Estado e da sociedade

À esquerda, o ministro do STF Alexandre de Moraes; à direita, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo
À esquerda, o ministro do STF Alexandre de Moraes; à direita, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo | Fotos: Reprodução/Wikimedia Commons

O Banco Central (BC) recusou-se a detalhar reuniões entre seu presidente, Gabriel Galípolo, e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Ao receber o questionamento sobre a transparência em encontros de alto nível, justificou que a decisão, conforme resposta ao jornal O Globo, tem base em possíveis ameaças à segurança do Estado e da sociedade.

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O BC disse que não faz registros oficiais de encontros entre seu dirigente e autoridades superiores. Essa posição contrasta com uma afirmação de Galípolo, em coletiva, em 18 de dezembro. “Todas as reuniões, mensagens e comunicações relacionadas ao caso Master foram documentadas”, disse, à época.

Contatos entre Moraes e Galípolo sob sigilo

Sede do Banco Central | Foto: Divulgação
Sede do Banco Central | Foto: Divulgação

De acordo com informações divulgadas em dezembro, Moraes buscou contato com Galípolo ao menos quatro vezes para defender interesses do Banco Master, cuja venda de ativos ao Banco de Brasília (BRB) dependia de aval do BC. A diretoria da autarquia vetou a operação em setembro do ano passado.

No período das tratativas, o escritório de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro, mantinha contrato de R$ 129 milhões com o banco de Daniel Vorcaro. Os pagamentos mensais eram de R$ 3,6 milhões, ao longo de três anos, sem detalhar causas nem processos específicos envolvidos no serviço.

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Conforme o jornal, o BC negou cinco pedidos baseados na Lei de Acesso à Informação, elaborados com apoio da ONG Fiquem Sabendo. Entre as solicitações, havia pedidos para obter a lista de reuniões, datas e horários dos contatos entre Moraes e Galípolo.

A autoridade monetária admitiu que não arquiva registros sobre o conteúdo das conversas entre ambos no intervalo de março a dezembro de 2025, nem mesmo sob sigilo. Questionamentos sobre encontros que trataram de outros temas tiveram a mesma resposta.

Justificativas e repercussão das negativas

Como justificativa, o Banco Central mencionou que o governo Trump aplicou a Lei Magnitsky contra Moraes. Segundo a instituição, isso reforça os riscos de divulgação dos dados. A legislação norte-americana, criada para combater terrorismo e violações de direitos humanos, também atingiu Viviane e uma empresa familiar, mas foi revogada por Trump em dezembro.

Oficialmente, Galípolo e Moraes alegaram que os encontros serviram para tratar das restrições financeiras impostas pela Magnitsky. O BC afirmou que reuniões entre autoridades superiores não são publicizadas quando envolvem riscos à segurança, com base em decreto de 2021 sobre transparência de agendas.

Leia também: “O Master e os manés”, artigo de Roberto Motta publicado na Edição 307 da Revista Oeste

Fontes revelaram que, no fim de 2025, houve reunião presencial entre Moraes e Galípolo para discutir crise de liquidez do Master. O tema também foi abordado em ligações telefônicas.

O órgão também negou Informações sobre interações entre o presidente do BC e ministros do STF, integrantes do governo Lula, senadores ou deputados em reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) entre março e dezembro de 2025. A autarquia limitou-se a esclarecer que o colegiado é restrito a seus indicados, sem detalhes de eventuais menções a Moraes.

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