Política

Boulos coloca fim da escala 6x1 como prioridade do governo Lula

Ministro da Secretaria-Geral defende jornada de 40 horas sem redução salarial e ataca resistência empresarial

À esquerda, Guilherme Boulos; à direita, Luiz Inácio Lula da Silva
À esquerda, Guilherme Boulos; à direita, Luiz Inácio Lula da Silva | Foto: Reprodução/Instagram/@leandropaivac

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, reafirmou nesta segunda-feira, 23, que o fim da escala de trabalho 6×1 é a prioridade central do governo Lula para 2026. Em entrevista à Rádio Nacional, o ministro defendeu a transição para o modelo 5×2, com limite de 40 horas semanais e manutenção dos salários atuais. Boulos minimizou as críticas do setor produtivo, comparando a resistência dos empresários aos debates históricos sobre a criação do 13º salário e das férias remuneradas.

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Além da pauta trabalhista, o ministro destacou que o Planalto empenhará esforços para aprovar a Proposta de Emenda à Constituição da Segurança Pública. A medida visa a dar respaldo jurídico para a criação definitiva de um Ministério da Segurança Pública, com atribuições fixadas em lei. Boulos também defendeu o estabelecimento de taxas fixas de repasse para motoristas e entregadores de aplicativos, criticando o porcentual de lucro retido pelas plataformas de tecnologia.

Ofensiva contra aplicativos e setor patronal

A retórica de Guilherme Boulos durante a estreia do programa comandado por José Luiz Datena focou o embate direto com o empresariado. “Eu nunca vi patrão defender aumento de direito do trabalhador”, disparou o ministro, ao rebater projeções de que o fim da escala 6×1 poderia prejudicar a economia. Ele defende a ideia de que o Estado intervenha na relação entre empresas de aplicativos e trabalhadores para evitar o que chamou de “lesão” aos motoristas.

A participação de Boulos reforça o novo perfil da Secretaria-Geral, agora mais voltada à interlocução com movimentos sociais e pautas sindicais. O ministro busca consolidar a agenda progressista no Congresso, logo que propostas como a regulação de aplicativos e a reforma da jornada de trabalho dependem de articulação política intensa. Enquanto isso, o mercado observa com cautela a sinalização de revogação de decretos de infraestrutura por pressão de movimentos de ocupação.

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