Congresso move proposta para bloquear uso de força militar contra Groenlândia em meio a ameaças de Trump
Medida liderada por Ruben Gallego classifica ameaças à Groenlândia como distração política e visa garantir que verbas militares não financiem ataques ilegais a parceiros estratégicos dos EUA
O Congresso dos Estados Unidos voltou a examinar o debate sobre a Groenlândia em meio à crescente controvérsia envolvendo o interesse do presidente Donald Trump em adquirir o vasto território autônomo pertencente ao Reino da Dinamarca, uma pauta que tem gerado forte reação internacional e alerta interno sobre o uso de poderes militares.
O senador democrata Ruben Gallego, do Arizona, apresentou uma emenda ao projeto de lei de dotações do Comitê de Defesa do Senado para proibir o uso de fundos federais para qualquer ação militar, hostilidades ou preparação de guerra contra a Groenlândia.
A iniciativa surge em resposta à retórica recente de Trump e de alguns aliados sugerindo que os EUA poderiam, de alguma forma, exercer controle sobre a ilha, seja por meio diplomático ou coercitivo.
“As famílias americanas estão sendo sufocadas pelo aumento dos preços de alimentos e moradia, a inflação está alta e o nome de Trump está em todos os arquivos problemáticos – em vez de consertar esses problemas, ele está tentando distrair o público ao ameaçar iniciar guerras e invadir países – primeiro na Venezuela, e agora contra nosso aliado da OTAN, a Dinamarca”, disse Gallego em comunicado oficial.
“Estou apresentando essa emenda para deixar claro que o Congresso não financiará ações militares ilegais ou desnecessárias e para forçar os republicanos a escolher se vão finalmente se posicionar ou continuar apoiando o caos de Trump”.
A proposta de Gallego pretende garantir que nenhum dos recursos disponíveis no orçamento da Defesa seja usado para “uso de força militar ou outras hostilidades” com relação à Groenlândia – território autônomo com pouco mais de 57 mil habitantes que faz parte do Reino da Dinamarca e está sob o guarda-chuva da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).
O tema ganhou urgência depois que Trump voltou a ressuscitar sua longa-data ambição de que os Estados Unidos adquiram ou exerçam controle sobre a Groenlândia, alegando que a posição estratégica do território no Ártico é vital para a segurança nacional, diante do que ele chama de “ameaça” de rivais geopolíticos como Rússia e China.
Autoridades da Casa Branca já declararam que o presidente e sua equipe estão avaliando “uma gama de opções” para alcançar esse objetivo, e que o uso das forças armadas “é sempre uma opção” disponível ao comandante-em-chefe, embora diplomacia e negociações sejam as vias preferenciais.
Analistas políticos destacados no Congresso ressaltam que a questão levanta preocupações constitucionais e diplomáticas significativas.
O debate sobre a necessidade de autorização do Congresso para qualquer ação de força militar é central à discussão. A Constitutional War Powers Resolution confere ao Legislativo autoridade para declarar guerra e regular o emprego de forças armadas, enquanto o presidente tem poderes como comandante em chefe – uma tensão que remonta à própria formação das instituições americanas.
O posicionamento de Gallego é acompanhado por alertas de alguns colegas democratas, que classificam as recentes declarações de Trump como “irresponsáveis” e potencialmente prejudiciais às alianças tradicionais dos EUA.
A iniciativa chega em um momento em que continuam as reações internacionais, com líderes europeus repetidamente defendendo a soberania dinamarquesa sobre a Groenlândia e reafirmando que qualquer mudança de status deve ser decidida por Dinamarca e Groenlândia, e não imposta externamente.
Internamente, a proposta de Gallego coloca pressão sobre membros do Partido Republicano no Congresso, vários dos quais expressaram cautela ou rejeição às ambições de Trump sobre a ilha.
A medida segue um esforço bipartidário crescente para prevenir a utilização de recursos públicos em cenários de confronto armado não autorizados contra países aliados – refletindo a preocupação de que retórica agressiva possa se transformar em política prática sem o devido respaldo legal e estratégico.
*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.

