Crítica: Pânico 7 mantém vivo o slasher e acerta no retorno de Neve Campbell
O filme chega nesta quinta-feira nos cinemas
Se tem uma franquia que se recusa a morrer, ironicamente, é Pânico 7. E a grande pergunta que ronda o novo capítulo é: ainda dá pra sentir medo ou estamos só assistindo a mais um jogo de referências? A resposta é: depende do que você espera.
Desde o clássico Pânico, criado por Wes Craven, a saga sempre foi sobre metalinguagem. Não era só terror, era terror sobre o terror. Em Pânico 7, essa consciência continua afiada, mas agora une os ingredientes clássicos dos slashers com a linguagem atual, como a cultura do hype, do true crime e da espetacularização da violência.
No novo filme da franquia, o roteiro é esperto quando ri de si mesmo, inclusive, citando alguns filmes anteriores que não foram tão bons assim, e também quando cutuca a própria franquia e faz piadas com assuntos mais do que atuas. É um slasher que não tem pretensão de ser outra coisa e isso é um grande acerto.
Por falar em acerto, o filme capricha nas sequências nos clássicos jump scares, nas mortes sangrentas e consegue misturar com bom humor. Há pelo menos duas cenas que entregam aquela respiração presa, sem deixar para trás o clima de terror. A direção entende o ritmo, alterna silêncio desconfortável com explosões brutais de violência e mantém a assinatura de uma das franquias mais bem sucedidas do cinema.
Mas existe um problema: a sensação constante de déjà-vu.
A franquia sempre brincou com suas próprias fórmulas, mas aqui a linha entre o novo e a nostalgia funcionam, principalmente com o retorno de atores clássicos, como Neve Campbell e Matthew Lillard.
Um dos pontos mais interessantes é o embate entre personagens da nova geração e as sombras do passado. O filme entende que “Pânico” não vive só de nostalgia, ele vive de conflito geracional. E isso funciona.
Quando aposta em seus protagonistas mais recentes, o longa ganha energia, frescor e até uma certa imprevisibilidade.
Sem spoilers. Mas dá pra dizer que a revelação divide opiniões.
A motivação é coerente com o discurso que o filme constrói, porém, talvez falte aquele fator “choque absoluto” que marcou revelações anteriores. Ainda assim, a execução da cena final entrega impacto, especialmente pelo peso temático, não apenas pela surpresa.
Se você ama a franquia, vai sair do cinema com aquele sorriso cúmplice de quem entende a piada interna.
Se você espera reinvenção total, talvez ache que o filme joga seguro demais.
Pânico 7 não reinventa o slasher, mas também não deixa a chama apagar. Ele entende que o verdadeiro terror da franquia nunca foi só a máscara do Ghostface, é o carinho que o público desenvolve pelos personagens que atravessam gerações e um toque de bom humor.
O filme estreia nesta quinta-feira nos cinemas.