‘Evento político’, dizem Zaeli e Alden sobre cerimônia que reuniu governo e STF em memória do 8 de janeiro

Evento em Brasília marcou a data com discursos pela preservação das instituições; oposição critica uso político do episódio

  • Por Bruno Pinheiro
  • 09/01/2026 09h26
Vinicius Loures/Câmara dos Deputados Capitão Alden

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) promoveu, nesta segunda-feira (8), um ato em defesa da democracia para marcar os três anos das invasões e depredações às sedes dos Três Poderes, em 8 de janeiro de 2023. A cerimônia, realizada no Palácio do Planalto, reuniu ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), integrantes do Executivo, parlamentares da base aliada e representantes de movimentos sociais. O eixo central foi a reafirmação da ordem institucional e a condenação aos atos de vandalismo que atingiram o Congresso Nacional, o STF e a própria Presidência.

Em discursos, autoridades destacaram a necessidade de preservar as instituições e de rechaçar investidas contra o Estado Democrático de Direito. A solenidade incluiu apresentações simbólicas e referências à reconstrução dos prédios atingidos. A data permanece como um marco divisório no debate político nacional, com processos judiciais em andamento e interpretações antagônicas sobre suas causas e consequências.

Parlamentares da oposição criticaram a iniciativa, classificando-a como um instrumento de narrativa política. Para o deputado federal Rodrigo da Zaeli (PL-MT), o ato busca reforçar a tese de uma tentativa de golpe para justificar ações contra setores da direita. “Eles fazem esse evento para manter a narrativa de um golpe de Estado, mas sabemos que é uma perseguição política para inibir a direita”, afirmou Zaeli, em referência às investigações e condenações decorrentes dos fatos.

Na mesma linha, o deputado Capitão Alden (PL-BA) argumentou que a cerimônia possui caráter “essencialmente político e simbólico, não se tratando de uma simples cerimônia institucional”. Em nota, ele disse: “Condenar vandalismo é dever do Estado. O que preocupa é a utilização contínua do episódio para legitimar medidas excepcionais”. Alden questionou a proporcionalidade das punições e citou “a prisão em massa de mais de 1.400 pessoas” e o que chamou de “criminalização de opiniões”.

Aliados do governo rebatem as críticas e afirmam que a lembrança do 8 de janeiro é necessária para evitar a repetição de ataques e para reafirmar o compromisso com a Constituição. Integrantes do Palácio do Planalto sustentam que o ato tem caráter pedagógico, e não eleitoral, ao reforçar os limites da atuação política em uma democracia. Para essa corrente, o evento simboliza a resistência das instituições perante uma ofensiva sem precedentes.

O episódio de 2023 segue no centro do debate político e jurídico, com processos em curso no STF — a maioria sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes — e leituras divergentes sobre a extensão das responsabilidades e a adequação das penas aplicadas. O Judiciário mantém a tese de que houve uma ação organizada com o objetivo de subverter a ordem democrática.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.