Facções criminosas dominam política e Justiça, dizem 91,5% dos brasileiros
Levantamento AtlasIntel em parceria com a Bloomberg detalha percepção por renda, religião, gênero e voto em 2022

Ao menos 91,5% dos brasileiros acreditam que facções criminosas controlam esferas importantes da política e do sistema judicial do país. O dado integra a pesquisa “Latam Pulse”, realizada pela AtlasIntel em parceria com a Bloomberg e divulgada nesta quinta-feira, 26.
Somente 7,1% discordam da tese de que organizações criminosas exercem influência sobre política e Justiça. Do total de entrevistados, 1,4% afirmou não saber responder. O índice indica percepção disseminada de captura institucional.
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Para 57,7%, leis mais rigorosas representam a principal medida para conter a criminalidade. Já 56,9% defendem o enfrentamento da corrupção no Judiciário e nas forças policiais. Outros 45% cobram investimentos adequados nas corporações. Para esse item, as pessoas poderiam dar até três respostas.
Facções criminosas na política: percepção cresce entre a classe média
A percepção varia conforme o gênero. Entre as mulheres, 98% veem influência do crime organizado nas estruturas públicas. Entre os homens, 84,6% compartilham dessa avaliação.
O grau de escolaridade também interfere. Entre quem possui ao menos o ensino fundamental, o índice chega a 100%. No ensino médio, 81,9% concordam. Entre os que têm nível superior, 96% apontam interferência criminosa.
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Na divisão por idade, 89,6% dos jovens de 16 a 24 anos responderam afirmativamente. Na faixa de 25 a 34 anos, o índice cai para 71,3%. Entre 35 e 44 anos, sobe para 95,2%.
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De 45 a 59 anos, 98,6% concordam com a existência de controle. Entre pessoas de 60 a 100 anos, o percentual atinge 98,7%.
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A percepção é mais forte nas faixas de renda intermediária e alta. Entre quem recebe de R$ 5 mil a R$ 10 mil, 99% concordam. Acima de R$ 10 mil, 96,3%.
Na faixa de R$ 3 mil a R$ 5 mil, 97,2% apontam influência criminosa. Entre R$ 2 mil e R$ 3 mil, o índice alcança 99,7%. De R$ 0 a R$ 2 mil, 71,8% concordam.

Regionalmente, o Nordeste registra o menor porcentual, com 73,4%. No Sul, 99,9% afirmam que há controle. No Sudeste, 97,3%. No Centro-Oeste, 97,1%. No Norte, 93,7%.
A divisão religiosa também revela diferenças. Entre evangélicos, 78,1% concordam com a tese. Entre católicos, 98,8%. Pessoas sem religião somam 98,1%. Agnósticos ou ateus registram 99,9%. Adeptos de outras religiões chegam a 85,4%.
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No recorte eleitoral, 99,3% dos que votaram em Jair Bolsonaro no segundo turno de 2022 veem influência das facções. Entre eleitores de Luiz Inácio Lula da Silva, o índice atinge 85,5%.
Entre quem votou branco ou nulo, 95,5% compartilham da percepção. Dos que não compareceram às urnas, 85,1% também apontam controle do crime organizado sobre estruturas institucionais.
Para mapear a opinião pública a respeito da atuação do crime organizado, a equipe da AtlasIntel entrevistou 4.986 pessoas. A margem de erro é de um ponto para mais ou menos. O recrutamento foi feito digitalmente de forma aleatória. O nível de confiança é de 95%. O período de coleta foi de 19 a 24 de fevereiro.




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