Goiás transforma melancia em símbolo de inovação, renda e liderança nacional na fruticultura.
Goiás transforma melancia em símbolo de inovação, renda e liderança nacional na fruticultura. (Foto: Wenderson Araújo/CNA)

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O estado de Goiás consolidou posição de liderança absoluta na produção de melancia, transformando a fruta em motor econômico, social e cultural. Segundo a Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento goiana, a melancia ocupa o quinto lugar entre as frutas mais produzidas no Brasil, que está entre os cinco maiores produtores mundiais, ao lado de China, Índia, Turquia e Argélia.

O destaque não é relacionado somente ao volume colhido, como também da aceitação do consumidor e da importância estratégica no abastecimento interno e externo. No estado, a melancia se tornou um vetor de desenvolvimento regional.

Em 2024, Goiás superou a Bahia e assumiu a liderança nacional, com 270,5 mil toneladas colhidas de melancia, crescimento acumulado de 9,6% na última década. Mesmo com uma redução de 11,8% na área plantada, a produtividade avançou 24,2%, o que reflete a modernização e o investimento em tecnologia do setor.

O valor da produção alcançou R$ 273,3 milhões, alta histórica de 134,9%, marcando um patamar recorde para a cultura no estado. Entre os municípios, Uruana (GO) se mantém como maior produtor do país, respondendo por 32,6% do volume estadual.

Jussara (GO) retomou o cultivo e assumiu a segunda posição, enquanto Santa Fé de Goiás (GO) dobrou sua produção e registrou o maior crescimento do ano, segundo o IBGE. O desempenho de Goiás reflete mudanças estruturais no setor.

Produtores investem em melhoramento genético, com o desenvolvimento de melancias sem sementes, mais doces, firmes e com maior vida de prateleira. Esses avanços ampliam a competitividade, permitem acesso a mercados exigentes e fortalecem a presença da fruta no varejo nacional e nas exportações.

Assim, a melancia não é apenas uma cultura agrícola: tornou-se símbolo de inovação, renda no campo e orgulho regional, consolidando Goiás como referência nacional e internacional na produção da fruta. “Esses resultados reforçam a capacidade do produtor goiano de inovar, investir em tecnologia e alcançar eficiência. Temos trabalhado em políticas públicas, como o crédito social e o Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste, para a inclusão produtiva no campo”, afirma o secretário de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás, Pedro Leonardo Rezende.

A melancia brasileira conquista mercados, bate recordes de exportação e projeta o agro nacional como referência global em produtividade e qualidade.Melancia brasileira conquista mercados, bate recordes de exportação e projeta o agro nacional como referência em produtividade e qualidade. (Foto: Wenderson Araújo/CNA)

Como é a cidade que se tornou o "coração" da produção goiana de melancia

Neste cenário, a cidade de Uruana se afirma como o principal símbolo da força produtiva goiana. Responsável por 32,6% de toda a melancia colhida no estado, o município incorpora a identidade da cultura. Logo na entrada da cidade, um monumento da fruta e a mensagem “bem-vindo a Uruana, capital da melancia” sintetizam o orgulho local.

Situada a cerca de 140 quilômetros de Goiânia, na margem direita do Rio Uru, afluente do Tocantins, a cidade carrega no nome a união entre o rio e a memória da pioneira Dona Ana. A identidade é preservada pelos quase 14 mil habitantes apontados pelo IBGE.

O Rio Uru estrutura a vida econômica e social do município. Suas águas variam conforme o regime climático, passando de um metro na estiagem para até oito metros no período chuvoso. Além de integrar a paisagem e o lazer da população, o rio sustenta a irrigação que viabiliza a alta produtividade das lavouras e mantém Uruana no centro da cadeia da melancia em Goiás.

A força do campo também se expressa na cultura. A Festa da Melancia, realizada em setembro, celebra o auge da colheita e mobiliza moradores e visitantes de diferentes regiões do país.

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Exportações de melancia batem recorde

As exportações brasileiras de melancia avançaram em ritmo recorde e consolidaram uma sequência histórica de crescimento. Dados do portal que compila informações sobre o comércio exterior brasileiro — o Comex Stat — mostram que, no mês de novembro, o Brasil embarcou cerca de 22 mil toneladas da fruta, volume 7% superior ao registrado no mesmo mês de 2024. É o maior resultado observado para novembro desde o início da série histórica, em 1997.

O desempenho também se destacou em receita. As vendas externas somaram pouco mais de US$ 14 milhões, o maior valor registrado para o mês e 12% acima do obtido no ano anterior. No acumulado parcial da safra 2025, entre agosto e novembro, os embarques atingiram 87 mil toneladas, crescimento de 32% em relação à temporada passada.

A receita teve alta de 53% na comparação anual, evidenciando não apenas maior volume exportado, como também melhor remuneração do produto. O preço médio de venda alcançou US$ 0,65 por quilo, frente a US$ 0,62 no mesmo período do ano anterior, aumento de 5%.

A valorização reflete, principalmente, a oferta mais controlada de melancias de outros países produtores, especialmente da América Central, o que abriu espaço para preços mais favoráveis aos exportadores brasileiros. A Europa permanece como o principal destino das melancias brasileiras, concentrando a maior parte dos embarques.

Para os próximos meses, o fluxo de exportações deve continuar, embora com expectativa de desaceleração a partir de fevereiro. Ainda assim, a projeção para o fechamento da safra indica resultados superiores aos registrados em 2024/25, reforçando a força do Brasil no mercado internacional da fruta.

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