Política

Governo prioriza redução da jornada para 40 horas semanais, explica ministro

Apesar do termo 'fim da escala 6x1', Luiz Marinho disse que negociação sobre dias de folga deve ser feita entre patrão e empregado

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, acompanhado do ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, durante assinatura do decreto que reajusta valor do salário mínimo para 2025, no Palácio da Alvorada, em Brasília
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, acompanhado do ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho | Foto: Claudio Kbene/PR

A discussão sobre a redução da jornada semanal para 40 horas tornou-se prioridade para o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, que busca diminuir o tempo de trabalho sem alterar salários. O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, explicou que a proposta de extinguir o modelo 6×1, em que o trabalhador tem apenas um dia de descanso, está atrelada à diminuição das atuais 44 horas para 40 horas semanais.

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Marinho afirmou que a negociação sobre dois dias de folga por semana deve ser feita entre patrões e empregados. Contudo, para ele, a legislação precisa garantir a redução da jornada.

Segundo o ministro, o termo “fim da 6×1” ganhou força por ser uma escala que afeta principalmente mulheres e jovens. “Está chamando a atenção, em particular da juventude”, afirmou Marinho ao C-Level Entrevista, do jornal Folha de S.Paulo.

Pauta de redução enfrenta debates e resistências

O governo não planeja, neste momento, debater a implantação de jornada de 36 horas semanais, embora propostas de emenda constitucional neste sentido estejam em discussão no Congresso. Para Marinho, a redução imediata de 44 para 36 horas não seria viável para a economia. Ele destacou que a proposta de 40 horas já está consolidada em negociações anteriores e que agora seria o momento adequado para avançar nessa pauta.

O ministro também comentou que alguns empresários já discutem ou implementaram jornadas menores, enquanto outros resistem, mas reconhecem a viabilidade da mudança.

Ele defendeu que o debate deve tramitar por meio de projeto de lei, por ser mais ágil do que uma PEC. “É mais rápido e plenamente possível de ser trabalhado”, explicou Marinho.

Impactos econômicos e diálogo com empresários

Sobre os impactos econômicos, o ministro afirmou que existem análises para todos os lados e que o governo vai buscar diálogo com o setor empresarial. Ele não descarta o envio de um projeto em regime de urgência caso o tema não avance no Parlamento.

Além disso, Marinho criticou a defesa de alguns empresários para adiar o debate para depois das eleições. Em sua visão, a discussão já amadureceu desde 2023.

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Questionado sobre declarações do presidente do Republicanos, Marcos Pereira, que afirmou que “ócio demais faz mal”, Marinho respondeu: “sou obrigado a dizer que é uma fala preconceituosa”. “Estou querendo poupar meu amigo, mas tem um preconceito”, disse.

O ministro também rebateu a ideia de que o brasileiro trabalha menos que a média mundial e afirmou que cada país tem sua própria realidade econômica.

Produtividade, críticas à pejotização e cenário político

Fachada do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília, em alusão à matéria sobre os PMs que aguardam julgamento na Corte; Moraes
Fachada do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília | Foto: Wallace Martins/STF

O ministro ressaltou a importância de investimentos em qualificação e tecnologia para elevar a produtividade, especialmente diante da carência de mão de obra especializada em alguns setores. Ele sugeriu que o Sistema S deve aproximar sua atuação das necessidades reais das empresas, adaptando cursos e processos à nova dinâmica do mercado de trabalho.

Em relação à regulamentação do trabalho por aplicativos, Marinho destacou o esforço de diálogo em 2023 e 2024, mencionando que as conversas com empresas de entrega não avançaram por resistirem à discussão sobre salário mínimo. Entretanto, avalia que o ambiente está mais colaborativo atualmente e diz que, mesmo que o relatório final não agrade a todos, um avanço é melhor do que manter a situação atual.

Sobre a possibilidade de legalização da pejotização pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro criticou a medida. “O STF não pode fazer uma aberração dessas”, afirmou.

“Isso seria uma catástrofe para a Previdência, para o Fundo de Garantia, para o FAT, para o Sistema S. Espero que o STF deixe passar. O Parlamento tem que entrar nesse debate. Isso não é papel do Supremo.”

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Luiz Marinho descartou disputar as eleições deste ano e defendeu o nome do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para concorrer ao governo paulista em outubro. O ministro acredita que o PT pode superar Tarcísio de Freitas na disputa estadual.

Por fim, sobre o caso Master e as quebras de sigilo envolvendo o filho do presidente Lula, Marinho disse que o presidente está acostumado à pressão desde 1982 e que vê o caso com tranquilidade.

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