‘Inferno na Terra’: saiba como é o presídio onde Maduro está detido em NY

Centro de Detenção no Brooklyn enfrenta denúncias de violência, superlotação e falta de higiene; local também abriga a esposa do ex-presidente, Cilia Flores

  • Por Jovem Pan
  • 05/01/2026 15h59
KENA BETANCUR / AFP Vista do Centro de Detenção Metropolitano no bairro do Brooklyn, na cidade de Nova York Vista do Centro de Detenção Metropolitano no bairro do Brooklyn, na cidade de Nova York

Após a operação militar que o levou de Caracas a um navio de guerra e, posteriormente, à base de Guantánamo, o ex-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, chegou ao seu destino final nos Estados Unidos: o Centro de Detenção Metropolitano (MDC), no Brooklyn. A unidade federal, que agora custodia o herdeiro político de Hugo Chávez, possui uma reputação tão terrível que advogados e juízes locais a descrevem como “o inferno na Terra”.

Maduro desembarcou em Nova York vestindo roupas esportivas e sandálias com meias, protagonizando cenas onde, algemado, desejou “Happy New Year” (Feliz Ano Novo) aos agentes que o escoltavam. Ele e sua esposa, Cilia Flores, aguardam agora o julgamento por narcotráfico e narcoterrorismo em uma instalação marcada por crises humanitárias.

Prisão vertical e isolada

Diferente das penitenciárias tradicionais com grandes pátios abertos, o MDC é uma fortaleza vertical de concreto e aço. Localizado a poucos quilômetros de pontos turísticos icônicos, como a Quinta Avenida e o Central Park, o prédio foi inaugurado na década de 1990.

A estrutura é conectada aos tribunais federais por corredores subterrâneos, permitindo o transporte de presos sem exposição pública. Atualmente, é a única unidade do Departamento Federal de Prisões (BOP) em funcionamento na cidade, após o fechamento da prisão de Manhattan devido ao suicídio do financista Jeffrey Epstein, em 2019.

Violência e condições desumanas

A alcunha de “inferno na Terra” reflete uma rotina de degradação. O presídio opera com superlotação crônica — abrigando mais de 1.300 detentos em um espaço para 1.000 — e sofre com a escassez de funcionários. Relatos da defensoria pública e da mídia americana apontam para a presença de vermes na alimentação, falta de assistência médica e falhas graves de infraestrutura. Em 2019, uma pane elétrica deixou os presos sem aquecimento durante o rigoroso inverno nova-iorquino.

O ambiente de anarquia resultou em múltiplos episódios de violência, incluindo homicídios e quatro suicídios registrados entre 2021 e 2024. A situação é tão crítica que juízes federais já se recusaram a enviar condenados para o local, citando uma “gestão inaceitável e letal”. A procuradora-geral de Nova York, Letitia James, classificou as condições como uma violação dos direitos humanos.

Vizinhos de cela famosos

Apesar da precariedade, o MDC é o destino padrão para réus de alta periculosidade. Maduro divide o complexo com figuras históricas do crime organizado e celebridades caídas em desgraça.

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Entre os atuais e ex-detentos da unidade estão o líder do Cartel de Sinaloa, Ismael “El Mayo” Zambada; o narcotraficante Joaquín “El Chapo” Guzmán; e o ex-presidente de Honduras, Juan Orlando Hernández. A lista inclui ainda o rapper Sean “Diddy” Combs, acusado de abuso sexual, e Sam Bankman-Fried, fundador da falida corretora FTX.