Lewandowski entrega carta de demissão a Lula e deixará o Ministério da Justiça

Ministro entregou carta de demissão no Planalto antes de cerimônia pelos três anos dos ataques de 8 de Janeiro

  • Por Nícolas Robert e Matheus Alleoni
  • 08/01/2026 13h03 - Atualizado em 08/01/2026 13h33
Robson Alves/MJSP Ministro Ricardo Lewandowski prestou solidariedade pelo assassinato do ex-delegado-geral da Polícia Civil Ruy Ferraz Fontes, ocorrido nesta segunda-feira (15), na cidade de Praia Grande, no litoral paulista. Foto: Robson Alves/MJSP Lewandowski pede demissão do Ministério da Justiça

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, entregou nesta quinta-feira (8) sua carta de demissão ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A entrega do documento ocorreu em uma reunião reservada, momentos antes do evento oficial no Palácio do Planalto que marca o aniversário de três anos dos ataques antidemocráticos de 8 de Janeiro.

Segundo apuração da reportagem, o governo ainda não tem um nome definido para ocupar a pasta. O secretário-executivo Manoel Carlos de Almeida Neto deve assumir interinamente até que haja escolha oficial.

Lewandowski — que tem 77 anos e passou 17 anos no Supremo Tribunal Federal (STF) antes de assumir o ministério — relatou cansaço ao presidente Lula e, a pessoas próximas, avaliou que sua “missão foi cumprida”.

Integrantes importantes da equipe também devem deixar seus cargos, entre eles o próprio Manoel Almeida.

Projetos no Congresso seguem em tramitação

Durante sua gestão, dois projetos considerados estratégicos avançaram no Congresso:

PL Antifacção — endurece o combate ao crime organizado e busca tipificar condutas relacionadas a organizações criminosas;

Sistema Único de Segurança Pública (Susp) — propõe a integração operacional de polícias estaduais e forças federais;

Divisão da pasta é desejo antigo de Lula

Com a saída de Lewandowski, Lula deve aproveitar a transição para realizar um projeto antigo: dividir a pasta em dois ministérios — Justiça e Segurança Pública.

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A ideia chegou a ser ventilada ainda na transição de governo, em 2022, mas foi adiada para não fragmentar a estrutura logo no início do mandato. Agora, a avaliação no Planalto é de que a divisão facilitaria a gestão e daria mais foco ao tema da segurança pública, considerado sensível para as eleições de 2026.

Segundo interlocutores, Lula pediu que Lewandowski permanecesse até que os nomes fossem definidos — o que, internamente, é esperado para ainda em janeiro.