Maduro e Cilia Flores comparecem a tribunal em Nova York nesta segunda-feira

Presidente da Venezuela e a primeira-dama serão apresentados à Justiça americana, acusados de narcoterrorismo e tráfico de drogas, e podem permanecer presos sem direito a fiança

  • Por Jovem Pan
  • 05/01/2026 06h36 - Atualizado em 05/01/2026 06h37
ANGELA WEISS / AFP maduro centro de detenção Maduro e Flores permanecem desde a noite de sábado detidos no Centro de Detenção Metropolitano (MDC) do Brooklyn

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua esposa, a deputada Cilia Flores, comparecerão nesta segunda-feira (5) a um tribunal federal em Nova York, em sua primeira audiência nos Estados Unidos após serem capturados e transferidos para o país, confirmaram fontes judiciais à Agência EFE no domingo (4).

De acordo com um porta-voz do Tribunal do Distrito Sul de Nova York, ambos serão levados perante o juiz federal Alvin K. Hellerstein em Manhattan às 12h no horário local (14h em Brasília).

Maduro e Flores permanecem desde a noite de sábado detidos no Centro de Detenção Metropolitano (MDC) do Brooklyn, uma prisão federal de alta segurança.

A audiência ocorrerá depois que o governo dos Estados Unidos anunciou no sábado a captura do presidente venezuelano em Caracas, em uma operação que incluiu ataques aéreos contra alvos na Venezuela.

Maduro é acusado nos Estados Unidos de quatro crimes federais: conspiração para o narcoterrorismo, conspiração para a importação de cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos, e conspiração para possuir esses mesmos artefatos em apoio a atividades criminosas, bem como colaborar com organizações criminosas classificadas como terroristas por Washington.

As acusações, formuladas em 2020 pela Promotoria do Distrito Sul de Nova York e confirmadas no sábado, sustentam que o presidente venezuelano teria liderado durante anos uma rede que utilizava o tráfico de drogas como arma contra os Estados Unidos.

Cilia Flores, por sua vez, enfrenta acusações relacionadas a supostas operações de apoio logístico e financeiro à mesma estrutura criminosa, de acordo com documentos judiciais citados pela imprensa americana.

Em casos semelhantes, os acusados são geralmente apresentados inicialmente a um juiz para a leitura formal das acusações, a verificação da sua identidade e a definição de aspectos preliminares, como a prisão preventiva ou a nomeação de advogados.

É provável que ambos fiquem em prisão preventiva sem direito a fiança enquanto o processo judicial se desenvolve, segundo noticiaram neste domingo o jornal “The New York Times” e a emissora “CBS”.

Por sua vez, a procuradora-geral dos Estados Unidos, Pamela Bondi, divulgou neste domingo, na rede social X (ex-Twitter), um comunicado conjunto com o Departamento de Justiça, o FBI (polícia federal) e a Agência Antidrogas (DEA) sobre a operação que permitiu a captura de Maduro e sua esposa, indicando que a ação exigiu meses de planejamento e tinha como objetivo “garantir o transporte seguro dos acusados ao país para responder às acusações federais que lhes são imputadas”.

O comunicado ressalta que todos os procedimentos foram realizados “em estrita conformidade com a lei americana” e que a missão apoiou “uma investigação criminal em andamento relacionada ao tráfico de drogas e crimes conexos” que, segundo Washington, “contribuem para a violência e a crise das drogas na região”.

A procuradora-geral acrescentou que “todas as opções legais foram exploradas para resolver a situação de forma pacífica” e atribuiu a responsabilidade pelo desfecho à “persistência na conduta criminosa” dos acusados.

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Maduro chegou a Nova York na noite de sábado a bordo de um avião militar para ser transferido para um prédio federal da DEA e depois para o Centro de Detenção Metropolitano do Brooklyn, uma prisão federal que abriga réus por casos de alta complexidade criminal.

*Com EFE