
Pesquisadores liderados por Luciano Andrade Moreira utilizam a bactéria Wolbachia para bloquear a transmissão de dengue, zika e chikungunya no Brasil. A estratégia, já integrada às diretrizes do Ministério da Saúde, apresenta resultados expressivos em cidades como Niterói e Campo Grande.
O que é o Método Wolbachia e como ele funciona na prática?
A estratégia consiste em infectar o mosquito Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia, que é encontrada naturalmente em outros insetos. Quando essa bactéria está presente no mosquito, ela impede que vírus como os da dengue, zika e chikungunya se multipliquem dentro dele. Assim, mesmo que o mosquito pique uma pessoa, ele não consegue transmitir a doença. Os mosquitos infectados são criados em biofábricas e soltos na natureza para se reproduzirem e espalharem a bactéria.
Quais foram os principais resultados alcançados em cidades brasileiras?
O caso de maior destaque é Niterói (RJ), onde o número de casos de dengue foi 89% menor após a implementação do método em comparação com a média dos dez anos anteriores. Em 2024, durante a maior epidemia da história do país, Niterói registrou índices de infecção muito abaixo da média nacional e estadual. Outro exemplo positivo é Campo Grande (MS), que apresentou uma redução de 63% nos registros da doença graças à tecnologia.
Esses mosquitos são alterados geneticamente ou oferecem algum risco?
Não, os mosquitos utilizados no Método Wolbachia não são transgênicos ou geneticamente modificados. São mosquitos comuns que apenas carregam uma bactéria natural. Além disso, o método é considerado totalmente seguro para o meio ambiente, para os animais e para os seres humanos. A bactéria Wolbachia vive apenas dentro das células dos insetos e não pode ser transmitida para as pessoas através da picada.
Por que o método é considerado uma solução sustentável?
Diferente dos inseticidas, que precisam ser aplicados repetidamente e podem perder o efeito se o mosquito ficar resistente, o Método Wolbachia é autossustentável. A bactéria é passada naturalmente de mãe para filho durante a reprodução dos mosquitos. Uma vez que a bactéria se estabelece na população local de Aedes aegypti, ela permanece lá por anos, mantendo o bloqueio da transmissão de doenças sem a necessidade de novas intervenções constantes.
Qual é o plano de expansão dessa tecnologia para o restante do Brasil?
Com a inauguração de uma grande biofábrica em Curitiba (PR), a expectativa é proteger cerca de 14 milhões de brasileiros por ano. O principal desafio agora é logístico, devido ao tamanho e à complexidade do país. A tecnologia não substitui as ações tradicionais, como eliminar água parada, mas funciona como um reforço poderoso e complementar para controlar as epidemias de arboviroses em larga escala.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.



