PM encontrada morta em SP pediu ajuda antes de morrer: ‘Pai, vem me buscar’

A soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi encontrada morta com um tiro na cabeça; inicialmente tipificado como suicídio, o caso mudou de classificação após histórico de discussão com marido

  • Por Jovem Pan
  • 23/02/2026 09h46 - Atualizado em 23/02/2026 09h52
Divulgação / Polícia Civil Gisele Alves Santana, de 32 anos, esposa de um tenente-coronel da PM, encontrada morta Gisele Alves Santana tinha 32 anos, e era esposa de um tenente-coronel da PM. 

A soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi encontrada morta com um tiro na cabeça na última quarta-feira (18), no apartamento onde morava com o marido, no Brás, região central de São Paulo. Dias antes de morrer, a policial enviou mensagens a familiares pedindo ajuda. As informações foram divulgadas pelo Fantástico, da TV Globo.

“Pai, vem me buscar porque eu não aguento mais”, escreveu Gisele, segundo parentes. De acordo com a família, ela enfrentava forte pressão no relacionamento e vinha demonstrando sinais de sofrimento.

Casada desde 2024 com o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, Gisele foi socorrida após ser encontrada ferida, mas não resistiu. Ele afirmou que a esposa cometeu suicídio.

Parentes afirmam que a policial mudou de comportamento após o casamento. Segundo eles, Gisele teria se afastado da família e passado a viver sob restrições impostas pelo marido, incluindo proibições relacionadas ao uso de roupas, maquiagem e contato com outras pessoas.

“Ela era uma menina bem cuidada, bem tratada, era uma menina feliz. Só que depois que ela ficou com ele, a alegria dela a gente viu que se apagou”, relatou uma tia de Gisele ao Fantástico.

Segundo a reportagem, a família também afirma que a filha da policial, de 7 anos, teria presenciado discussões e episódios de violência psicológica dentro de casa.

O que diz a SSP-SP

A Polícia Civil de São Paulo investiga as circunstâncias da morte de Gisele Alves Santana, de 32 anos, esposa de um tenente-coronel da Polícia Militar. O caso, registrado no 8º Distrito Policial, no Brás, sofreu uma alteração em sua tipificação: inicialmente classificado como “suicídio consumado”, o inquérito agora inclui a natureza de “morte suspeita”, o que amplia a conclusão da investigação para outras hipóteses, incluindo homicídio ou feminicídio.

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), a mudança na classificação do caso tem como objetivo “apurar as circunstâncias do óbito da vítima”, e diligências seguem em andamento para esclarecer os fatos.

Informações apuradas pela reportagem da Jovem Pan indicam que Gisele teria sido atingida por um disparo efetuado com a arma do próprio marido. Vizinhos relataram ter ouvido uma discussão entre o casal momentos antes do tiro.

O comportamento do oficial também passou a ser investigado. Pessoas próximas ao convívio do casal afirmam que o tenente-coronel demonstrava ciúmes excessivos, chegando a realizar visitas surpresa ao local de trabalho da esposa.

A ausência de uma carta de despedida e o perfil da vítima — descrita como uma mãe muito apegada à filha — são apontados como fatores que, somados ao histórico de conflitos conjugais e ao uso da arma do marido, levaram as autoridades a questionar a hipótese inicial de suicídio.

A Polícia Civil informou que continua ouvindo testemunhas e aguarda os laudos periciais para determinar a dinâmica exata da morte.

A Jovem Pan tenta localizar a defesa do tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto. O espaço está aberto para manifestação.