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Enquanto os iranianos tomam as ruas em meio à inflação persistente e à repressão do regime, o presidente Donald Trump disse aos manifestantes que “a ajuda está a caminho” — mas ele já deu ao povo pobre, oprimido pelo Líder Supremo, o aiatolá Ali Khamenei, uma ajuda crucial ao criar as condições para sua revolta.
Em meio à inflação altíssima, manifestantes foram às ruas em 28 de dezembro e, no último sábado, os protestos já haviam se espalhado por 574 locais em 185 cidades, nas 31 províncias, segundo a CNN. O regime respondeu com sua habitual brutalidade, cortando a internet e matando cerca de 12 mil manifestantes.
O regime conseguiu reprimir protestos em anos anteriores, desde o Movimento Verde de 2009 (desencadeado por uma eleição presidencial contestada) até os protestos de 2019–2020 (também motivados por condições econômicas) e os protestos de 2022–2023, após a morte de Mahsa Amini sob custódia da polícia da moralidade por se recusar a usar o hijab. O que há de diferente desta vez? As condições econômicas são ainda piores, e o regime perdeu sua credibilidade moral e militar.
A moeda iraniana, o rial, perdeu quase todo o seu valor. Na semana passada, um dólar americano era negociado por 1,47 milhão de riais. A crise econômica ocorre depois que o presidente Trump reimpôs a política de pressão máxima sobre o Irã, em fevereiro passado, após anunciar uma estratégia energética abrangente que não se afasta do petróleo, e após uma série de derrotas militares devastadoras para os aiatolás.
O regime teocrático do Irã fundamenta sua legitimidade na capacidade de combater o “pequeno Satã”, Israel, e o “grande Satã”, os Estados Unidos da América. A República Islâmica chegou ao poder após a revolução que depôs o xá Mohammad Reza Pahlavi, apoiado pelos EUA. O Irã declarou sua intenção de eliminar Israel do mapa. A rígida aplicação da lei xiita, a sharia, só é possível porque o regime une seu povo contra inimigos comuns.
O papel de Trump
O ex-presidente Barack Obama acreditava que o regime se tornaria mais brando se oferecesse um acordo e esperava criar estabilidade regional no Oriente Médio ao contrapor um Irã mais forte e moderado à Arábia Saudita.
O presidente Trump, acertadamente, descartou essa abordagem frouxa, aplicando sanções de pressão máxima em seu primeiro mandato e demonstrando um apoio ainda mais agressivo a Israel em seu segundo.
O ex-presidente Joe Biden afrouxou as sanções contra o Irã, permitindo que o regime arrecadasse aproximadamente US$ 71,02 bilhões a mais do que teria arrecadado de outra forma, antes do ataque a Israel em 7 de outubro de 2023.
É provável que esse dinheiro extra tenha permitido ao Irã fornecer mais apoio a seus aliados na região, incluindo o Hamas em Gaza, o Hezbollah no Líbano, os rebeldes houthis no Iêmen e as milícias apoiadas pelo Irã no Iraque
O Irã usa esses aliados, bem como a Guarda Revolucionária Islâmica, para projetar poder contra Israel e os Estados Unidos fora de suas fronteiras. No entanto, o dia 7 de outubro desencadeou uma série de eventos que paralisaram o poder do Irã no Oriente Médio.
Israel respondeu com força, desmantelando o Hamas. Em setembro de 2024, Israel efetivamente aniquilou o Hezbollah ao sabotar os pagers do grupo terrorista para que explodissem.
O presidente Biden prometeu apoiar Israel, mas seu apoio se mostrou, na melhor das hipóteses, morno. Em contraste, Trump se manteve ao lado do aliado americano, fornecendo a cobertura necessária para que Israel cumprisse sua missão. Trump também bombardeou os houthis no Iêmen no ano passado, após o grupo apoiado pelo Irã ter atacado repetidamente navios mercantes internacionais.
Em junho passado, Israel atacou diretamente instalações nucleares iranianas, e as forças americanas sob o comando de Trump forneceram assistência crucial na destruição das principais instalações nucleares de Natanz, Isfahan e Fordow.
Em vez de se envolver em uma mudança de regime ou em uma guerra prolongada, o presidente Trump instou o Irã a fazer a paz, encerrando a Guerra dos Doze Dias com uma grande vitória para os Estados Unidos e Israel.
Numa jogada de mestre, Israel e os EUA desmantelaram os aliados do Irã e o programa nuclear do regime autoritário — a maior esperança dos aiatolás para uma vitória decisiva contra Israel.
Sim, os protestos são realmente diferentes desta vez.
O papel debilitado do Irã no Oriente Médio não apenas torna Israel e os aliados dos Estados Unidos na região mais seguros, como também mina a própria razão de ser da República Islâmica. Independentemente do que as tropas iranianas acreditem, as autoridades religiosas almejam disseminar sua versão do Islã pelo mundo e, se não conseguirem combater os dois regimes que consideram os mais malignos — os Estados Unidos e Israel —, perdem sua principal justificativa para governar. Os protestos podem não ter sucesso e, mesmo que tenham, é possível que o regime resultante não represente uma grande melhoria.
No entanto, Trump e Israel prestaram um grande serviço ao povo iraniano ao enfraquecerem o poderio militar dos aiatolás, e isso pode ser suficiente para acabar de vez com o regime despótico da República Islâmica.
Mesmo que sobreviva, o regime debilitado permanecerá uma pálida sombra do que já foi. Como admirador da antiga Pérsia, não posso deixar de esperar que os melhores dias do Irã ainda estejam por vir — e, se estiverem, o povo persa terá de agradecer a Trump por isso.
©2026 The Daily Signal. Publicado com permissão. Original em inglês: Why Is the Iran Regime on the Verge of Collapse?