"Nicolasito", único filho biológico do ditador capturado Nicolás Maduro (Foto: EFE/ Miguel Gutiérrez)

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Após a captura de Nicolás Maduro num ataque surpresa dos EUA, uma das figuras de influência do regime chavista que atraiu atenção, ao protestar pela soltura do então ditador, foi seu filho, Nicolás Ernesto Maduro Guerra, também conhecido como "Nicolasito" - apelido para diferenciá-lo do pai - ou "El Príncipe".

Considerado herdeiro político do ditador capturado, o deputado chavista de 35 anos já atuou em diferentes funções dentro do alto escalão da ditadura. Economista de formação, ele foi chefe de segurança de Maduro - cargo dedicado a pessoas de alta confiança - e atualmente se divide entre o segundo mandato como parlamentar e a função de diretor de Assuntos Religiosos do Partido Socialista que controla o país.

"Nicolasito" é o único filho biológico de Maduro, fruto de seu primeiro casamento com Adriana Guerra Angulo. Ele também enfrenta acusações em uma corte federal de Nova York por crimes relacionados ao narcotráfico.

Sanções, turismo na Coreia do Norte e a cara millennial do regime: a escalada para a carreira pública garantida à sombra do pai

Aos 23 anos, o herdeiro de Maduro recebeu seu primeiro cargo na ditadura chavista: se tornou chefe do Corpo de Inspetores da Presidência, cargo criado pelo pai. Um ano depois, as funções começaram a aumentar com a nomeação como coordenador da Escola Nacional de Cinema. 

Em 2017, foi escolhido pelo regime como delegado das contestadas eleições que garantiram a Maduro um Parlamento paralelo na Venezuela, liderado pela atual ditadora interina Delcy Rodríguez, à época ministra de Relações Exteriores. Com isso, o regime aprofundou o caos institucional no país.

Em 2019, "Nicolasito" expôs nas redes sociais uma viagem de membros do Partido Socialista da Venezuela à Coreia do Norte, que aos poucos se tornou um aliado estreito de Caracas. Na ocasião, ele apareceu em vídeos cantando hinos bolivarianos ao lado de jovens militantes e participou de eventos comandados pelo ditador norte-coreano, Kim Jong-un, segundo o El País.

A viagem aconteceu dias depois dele ser sancionado, assim como o pai, pelo primeiro governo de Donald Trump. O Departamento do Tesouro o acusou naquela ocasião de tirar proveito das minas de ouro do país e de apoiar diretamente ações de censura e propaganda do regime chavista.

Em 2020, o filho de Maduro lançou um programa que levava o seu nome, o chamado Maduro Guerra Live, usado como uma estratégia de propaganda do regime. Os conteúdos buscavam tornar as lideranças da ditadura de seu pai mais populares entre os jovens - ele fazia entrevistas com a hierarquia chavista.

No mesmo ano, o programa foi suspenso para um "ajuste de formato", anúncio que coincidiu com um momento favorável para o ditador Maduro ampliar seu controle do Parlamento elegendo novos deputados. Seu filho, então, se tornou uma peça-chave para isso.

Histórico de ostentação e confusão em festas luxuosas

Longe dos holofotes políticos, o herdeiro de Maduro tem um histórico polêmico, marcado por festas luxuosas e ostentação.

Um dos casos marcantes envolve uma suposta comemoração de aniversário, em 2020, durante a pandemia de coronavírus, ocasião na qual vizinhos ligaram para a polícia denunciando aglomeração em um condomínio de alto padrão no leste de Caracas em meio a uma rígida quarentena imposta pelo regime que impedia reuniões sociais.

Segundo o jornal El País, não ficou claro se o evento estava relacionado ao filho de Maduro. No entanto, um comissário da polícia que atendeu o chamado e acabou preso, escreveu nas redes sociais - post que foi logo apagado - que não era possível fazer nada pelos denunciantes, visto que a Casa Militar estava encarregada de vigiar o local naquele dia.

Em um episódio mais antigo, de 2015, o filho de Maduro aparece em um vídeo ostentando várias cédulas de dinheiro em um casamento, jogando-as para o alto enquanto era filmado. Dois anos depois, uma mulher foi presa por fotografar o herdeiro do chavismo em uma festa no estado de Maracaibo.

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