lula 8 de janeiro
Lula discursa em ato alusivo ao terceiro aniversário do 8 de janeiro: presidentes da Câmara, do Senado e do Supremo não apareceram. (Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República)

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O 8 de janeiro de 2023 não se tornou um marco simbólico por acaso. Ele foi cuidadosamente instrumentalizado pelo PT, por Lula e por setores do Supremo Tribunal Federal como peça central de uma narrativa política destinada a um objetivo central: desmobilizar a oposição e criminalizar a direita brasileira. Três anos depois, chegado o 8 de janeiro de 2026, essa farsa sustenta-se cada vez menos, apesar da insistência de quem precisa dela para sobreviver politicamente.

A tentativa de transformar o 8 de janeiro em um mito fundacional do atual regime está fracassando. As solenidades oficiais esvaziadas, a ausência de representantes dos demais Poderes e a falta de adesão popular demonstraram o óbvio: a narrativa do “golpismo” perdeu força na sociedade e até mesmo nas instituições. Não porque os fatos tenham mudado, mas porque a verdade insiste em aparecer.

Desde o início, a história foi contada propositalmente de forma invertida. Acusou-se convenientemente a direita de “golpismo”, enquanto se fazia de tudo para esconder a realidade: o golpe institucional em curso desde 2019. De um lado, com a abertura de inquéritos ilegais, o cerceamento da liberdade de expressão, a interferência constante e ilegal nos atos administrativos do então presidente Jair Bolsonaro, a censura sistemática à oposição nas redes, no Congresso e na imprensa; e, de outro, com a anulação casuística das condenações de Lula e sua recolocação no jogo político à revelia da Lei da Ficha Limpa, o enterro da Lava Jato e a hipertrofia de uma corte usada para justificar as ações ilegais de perseguição contra a oposição.

O 8 de janeiro de 2023, ocorrido ainda na aurora do novo governo, foi apenas o pretexto cabal para consolidar um estado de exceção permanente, no qual opositores são desumanizados, descritos como intrinsecamente violentos e golpistas, e tratados como inimigos do regime a serem eliminados sem dó nem piedade. Nem mesmo as mínimas garantias legais e constitucionais lhes são oferecidas. São indignos, portanto, de quaisquer direitos humanos.

O 8 de janeiro de 2026 também precisa ser lembrado como um marco de resistência. Apesar do ambiente opressivo e repressivo, já houve avanços: a mobilização internacional e o reconhecimento externo de que o regime no Brasil não é mais de democracia plena

As consequências humanas dessa estratégia são dramáticas. Brasileiros continuam presos ou com restrições absurdas de liberdade por atos que jamais foram individualizados. Milhares de inocentes tiveram suas vidas destruídas. E mesmo aqueles que praticaram vandalismo já pagaram por seus atos – e pagaram muito mais do que qualquer outro vândalo na história recente do país. Ainda assim, a máquina persecutória segue ativa, porque sua função não é fazer justiça, mas intimidar. E intimidar milhões de brasileiros. O objetivo é intimidar todo um povo que, historicamente, fez a diferença tomando as ruas e exigindo mudanças políticas. Quem está no poder aprendeu com a história e não quer, de jeito nenhum, o povo de volta às ruas.

É por isso que o 8 de janeiro de 2026 também precisa ser lembrado como um marco de resistência. Apesar do ambiente opressivo e repressivo, já houve avanços: a mobilização internacional e o reconhecimento externo de que o regime no Brasil não é mais de democracia plena; o trabalho incansável em defesa de brasileiros perseguidos no exterior; as constantes mobilizações no Congresso Nacional de uma oposição aguerrida, apesar de ser objeto de cruel perseguição política; a exposição de prisões injustas e abusivas cada vez mais constante, inclusive na grande mídia – como as da Débora do Batom, de Filipe Martins e do ex-presidente Jair Bolsonaro –, que servem de exemplo para o que outros milhares de brasileiros estão sofrendo; e, finalmente, a aprovação do projeto de redução de penas tanto na Câmara quanto no Senado que, embora não seja a almejada anistia e anulação dos processos, foi um claro sinal de ampla maioria política na direção correta de reconhecer os abusos e excessos do STF e da narrativa petista.

Enquanto isso, o governo Lula segue demonstrando rancor e ressentimento. O veto de Lula à dosimetria, imposto exatamente nessa data simbólica, escancarou que a crueldade não é um efeito colateral da perseguição: é uma escolha política fria, covarde e calculista. Lula e o PT precisam do conflito permanente, do medo e da intimidação para manter sua base mobilizada. O discurso de “paz e amor” do passado ou de “união e reconstrução” do presente nunca passou de propaganda, de slogans criados para efeitos de marketing, enquanto a prática seguiu sendo exatamente a oposta.

Enquanto a narrativa do golpismo se esboroa, os escândalos se acumulam. Petistas voltaram à cena do crime, como certa vez profetizou Geraldo Alckmin, e decidiram dobrar a meta, como já entoou outro poeta. A CPMI do INSS avança aceleradamente sobre o roubo dos aposentados e sobre o envolvimento de figuras próximas ao núcleo do poder, como Fábio Luís da Silva, o Lulinha. O filho de Lula já é apontado em relatórios da Polícia Federal como beneficiário de uma mesada de R$ 300 mil, pagos por lobistas do esquema que assaltou idosos, velhinhas e pessoas com deficiência.

Também cresce a pressão sobre o Supremo Tribunal Federal. Em particular, sobre o até então todo-poderoso ministro Alexandre de Moraes. O outrora incontestável e intocável ministro, protegido de quase toda a grande mídia brasileira, está no foco de um escândalo com potencial para derrubar o que restou da República. A descoberta de um contrato de R$ 129 milhões da esposa de Moraes, Viviane Barci de Moraes, com o banco Master, foi o estopim para a mudança de humor da imprensa em relação ao ministro. As revelações de que o próprio Moraes tentou interferir nas decisões do Banco Central relativas à transação comercial entre o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master aumentaram a pressão, e a instalação de uma CPMI para investigar o escândalo é, regimentalmente, apenas questão de tempo, com a volta do recesso para iniciarmos os trabalhos também no Congresso, pois as assinaturas parlamentares necessárias já foram superadas com folga.

O 8 de janeiro de 2023, portanto, não pertence ao PT nem ao STF. Ele pertence à história – e a história não costuma ser gentil com regimes que se sustentam na mentira, na censura e na perseguição. Estratégias baseadas em comoção artificial podem funcionar no curto prazo, mas inevitavelmente caem quando confrontadas com a realidade. E a realidade, tanto para petistas como para os ministros do STF, não lhes está sendo nada favorável, diferentemente de três anos atrás.

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O Brasil vive em 2026 um ano decisivo. A soberania popular, sufocada por um Estado hipertrofiado e por instituições capturadas, precisa ser reafirmada. Assim como na Venezuela, onde já não há democracia constitucional e soberania popular, também no Brasil a situação é crítica. Democracia não é tutela judicial, não é censura, não é medo. Democracia depende de povo livre, Parlamento forte, respeito à Constituição e responsabilidade institucional com as leis e com as garantias fundamentais.

Este 8 de janeiro de 2026 deixa cada vez mais claro quem são, de fato, os verdadeiros golpistas. E deixa ainda mais claro que nenhuma injustiça é eterna. A mobilização cívica, a coragem de denunciar e a recusa em normalizar o abuso seguem sendo as únicas respostas possíveis. Não desistir não é apenas a única opção moral do brasileiro: é dever histórico de quem acredita e quer a volta da democracia, da justiça e da liberdade no Brasil.

Conteúdo editado por: Jocelaine Santos