Receita Federal identifica acesso irregular a sistemas internos e informa o STF
Varredura solicitada por Moraes levou à abertura de inquérito e a medidas cautelares contra suspeitos

Uma auditoria interna da Receita Federal (RF) identificou movimentações consideradas irregulares em sistemas que armazenam informações fiscais sigilosas. Os indícios foram comunicados ao Supremo Tribunal Federal (STF) e deram origem a uma operação da Polícia Federal (PF) nesta terça-feira, 17, com foco no possível vazamento de dados de ministros da Corte e de familiares.
Segundo informou o jornal O Globo, a varredura foi solicitada em 12 de janeiro pelo ministro Alexandre de Moraes, que determinou a verificação de acessos a dados de autoridades nos últimos três anos. O trabalho passou a integrar procedimento já aberto pela Corregedoria da Receita um dia antes.
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Em nota, o órgão informou que a auditoria envolve dezenas de sistemas e cidadãos. A Receita destacou que os registros internos permitem identificar quem acessa cada dado, o que pode embasar responsabilização administrativa e criminal, caso irregularidades sejam confirmadas.
A operação da PF foi autorizada pelo próprio STF, a pedido da Procuradoria-Geral da República. Foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. Também foram determinadas medidas cautelares, como afastamento do exercício da função pública e monitoramento por tornozeleira eletrônica.
A operação da Receita Federal e o caso Master
A abertura do inquérito ocorre em meio à repercussão de reportagens publicadas em dezembro. Um contrato firmado entre o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci, mulher de Moraes, teria alcançado mais de R$ 130 milhões ao longo de três anos. O documento chegou a ser apreendido em operação anterior da PF.
Moraes manteve contatos com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para tratar da situação do banco outrora controlado por Daniel Vorcaro. Parte dessas conversas teria ocorrido por telefone, e ao menos um encontro foi presencial.
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O novo inquérito não descreve, até o momento, vínculo formal entre os episódios. O que há é a coincidência temporal entre a divulgação das informações sobre o contrato e a apuração sobre acessos a dados fiscais ligados a integrantes da Corte.
Histórico de tensão
O tema remete a um episódio de 2019, quando Moraes determinou a suspensão de investigações fiscais conduzidas pela Receita que alcançavam ministros do Supremo e outras autoridades. À época, o STF apontou indícios de desvio de finalidade e afastou temporariamente servidores suspeitos de quebra indevida de sigilo.
A decisão ocorreu no contexto do Inquérito das Fake News, instaurado naquele ano sob a presidência do ministro Dias Toffoli.
Agora, a investigação parte de um caminho diferente: a própria Receita comunicou indícios de acessos considerados incompatíveis com as atribuições funcionais. O material já foi encaminhado ao relator no STF, e o desdobramento dependerá do avanço das apurações conduzidas pela Polícia Federal.
Até o momento, os nomes dos investigados não foram divulgados.
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