São Paulo: e se fosse uma empresa de alto nível listada na bolsa?

Os conselheiros (254 aptos a votar) decidirão entre o impeachment ou o arquivamento das acusações contra o presidente do clube, Julio Casares

  • Por Wanderley Nogueira
  • 15/01/2026 17h33
GABRIEL SILVA/RASPRESS/ESTADÃO CONTEÚDO Todos os saques realizados aconteceram durante a gestão do presidente Julio Casares, que está em seu último ano de mandato Todos os saques realizados aconteceram durante a gestão do presidente Julio Casares, que está em seu último ano de mandato

A reunião do Conselho Deliberativo do São Paulo, marcada para esta sexta-feira (16 de janeiro), às 18h30, no Morumbi, será decisiva para o futuro do presidente Julio Casares. Os conselheiros (254 aptos a votar) decidirão entre o impeachment ou o arquivamento das acusações contra ele.

O cenário atual é desfavorável a Casares: após perdas significativas de apoio nos últimos meses — com grupos que antes o respaldavam se dividindo ou saindo da base —, analistas e opositores apontam que o ambiente indica maior chance de destituição, especialmente com a liminar judicial que manteve o formato híbrido (presencial ou virtual) e o quórum de aprovação em dois terços (cerca de 171 votos favoráveis para afastamento provisório). O clube recorreu sem sucesso, e a votação segue nesse molde.

Dizem que o futebol é um mundo à parte, quase um Estado Paralelo, onde crises graves nem sempre seguem a lógica esperada. Mas e se um caso similar ocorresse em uma grande empresa listada na bolsa, com um CEO sob acusações de irregularidades e perda de confiança interna?

Seria tratada como crise grave de governança corporativa, com impactos diretos em compliance, reputação e desempenho. O CEO só sobreviveria se mantivesse o mandato social — a confiança do conselho, acionistas e mercado. Mesmo escapando da votação, a liderança ficaria paralisada: decisões estratégicas (como contratações ou patrocínios) seriam contestadas, gerando ineficiência operacional.

Exemplos reais mostram isso:

  • Dennis Muilenburg (Boeing) foi forçado a renunciar em 2019 pelo board, após as crises do 737 MAX, para minimizar danos à empresa.
    Travis Kalanick (Uber) sofreu remoção imediata e humilhante em 2017, com risco de ações judiciais posteriores.

No corporativo de alto nível, o isolamento do líder é letal: patrocinadores e parceiros fogem de controvérsias, receitas caem, foco se desvia das operações. Mesmo sem saída imediata, o dano à imagem e ao funcionamento costuma ser irreversível.No futebol, porém, o panorama nem sempre segue essa rigidez — e é aí que reside a diferença.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.