Política

Toffoli associa Lula à remessa de relatório da PF ao STF

Ministro vê participação do petista no envio do dossiê com registros extraídos do celular de Daniel Vorcaro, dono do Master

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Com cerca de 200 páginas, o material reúne registros de ligações, mensagens e transações que envolvem direta ou indiretamente o ministro | Foto: Divulgação

Dias Toffoli passou a atribuir ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a decisão da Polícia Federal (PF) de encaminhar ao Supremo Tribunal Federal (STF) o relatório que detalha registros de contato entre o ministro e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O magistrado está convencido de que o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, agiu em nome do petista ao remeter o material diretamente à Corte.

Segundo o jornal O Globo, que divulgou as informações, a desconfiança ganhou força horas antes de Toffoli deixar a relatoria do caso Master, na última quinta-feira, 12. Naquele dia, Lula se reuniu com o Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, e cobrou rigor na apuração das fraudes na instituição de Vorcaro.

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Como chefe do Ministério Público, Gonet tem competência para apresentar pedido de suspeição contra integrantes do STF.

Com cerca de 200 páginas, o material reúne registros de ligações, mensagens e transações que envolvem direta ou indiretamente o ministro. Nos bastidores, Toffoli sustenta que Rodrigues não teria tomado a iniciativa sem autorização do chefe do Executivo.

Nesse sentido, o magistrado interpreta a atuação de Lula como fator de pressão adicional sobre o caso. Em sua avaliação, o envio do relatório pela PF e o encontro com o PGR integram uma mesma sequência de movimentos políticos.

A decisão de 2019 que ainda pesa entre Toffoli e Lula

Agora, se Lula buscou reforçar o ambiente político em torno do processo ao se reunir com o PGR, o gesto poderia estar relacionado a um episódio antigo que marcou a relação entre o presidente e o ministro da Corte.

Em 2019, o petista cumpria pena na Superintendência da PF em Curitiba quando seu irmão, Genivaldo Inácio da Silva, morreu. Como resultado, a defesa de Lula pediu autorização para que ele comparecesse ao enterro.

Negada nas duas primeiras instâncias, a solicitação chegou ao STF, onde Toffoli presidia a Corte e estava de plantão durante o recesso. O ministro decidiu apenas no dia seguinte e minutos antes do horário do funeral que Lula poderia se deslocar a São Bernardo do Campo (SP), a mais de 400 quilômetros de Curitiba, para encontrar a família — desde que o encontro ocorresse em um quartel militar. Diante das condições impostas, o petista desistiu da viagem.

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Aliados de Lula criticaram a decisão. Recordaram que, em 1980, durante o regime militar, ele havia sido liberado para acompanhar o enterro da mãe, Dona Lindu.

Um mês depois do episódio envolvendo Genivaldo, a Justiça Federal do Paraná autorizou Lula a comparecer ao enterro do neto Arthur Lula da Silva, de 7 anos, vítima de meningite meningocócica. Como não houve objeção nas instâncias inferiores, o caso não chegou ao STF.

Ministro buscou retomar diálogo com Lula

Depois de 2023, Toffoli enviou sinais de aproximação. Além de mensagens transmitidas por interlocutores, o ministro tomou decisões que impactaram diretamente a Lava-Jato.

No mesmo ano, anulou provas do acordo de leniência da Odebrecht e classificou a operação como “PAU DE ARARA DO SÉCULO 21”, afirmando que teria promovido “verdadeira tortura psicológica” para obter “provas” contra inocentes.

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Em dezembro de 2025, Lula recebeu Toffoli para um almoço na Granja do Torto. Também participou da reunião o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Segundo o colunista Lauro Jardim, a conversa tratou do caso Master. Haddad descreveu o modus operandi das fraudes e o presidente afirmou ao ministro que a investigação poderia “reescrever sua biografia”.

1 comentário
  1. Edson Csuraji
    Edson Csuraji

    Interessante! Indignado porque o Painho mandou o Diretor da PF enviar o relatório para o Presidente do STF. Resumindo; foi traído por quem se dedicou anos a fio e, os dados contidos no relatório não deveriam ser revelados. Conclusão; confessou que cometeu crime