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O presidente dos EUA, Donald Trump, fez um pronunciamento na tarde deste sábado (3), em sua residência em Mar-a-Lago, na Flórida, para comemorar o sucesso do ataque americano à Venezuela. Ele afirmou que os EUA governarão o país sul-americano até que um novo governo assuma o comando do país.
Trump acrescentou que, após a captura de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, os EUA "não podem arriscar que alguém que não tenha o bem do povo venezuelano em mente tome o controle da Venezuela". "Tivemos décadas disso e não vamos deixar que volte a acontecer", declarou.
"Vamos governar o país até que possamos fazer uma transição pacífica", disse Trump, explicando que as forças armadas dos EUA estavam prontas para realizar uma segunda onda de ataques, "muito maior", se isso fosse necessário. Trump declarou ainda que uma equipe liderada pelo Secretário de Estado Marco Rubio, presente à coletiva, cuidará desta transição.
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O tom foi de celebração e elogio patriótico à ação, afirmando que os EUA “recuperaram o respeito”. Ele lembrou, em especial, o fracasso militar americano no Afeganistão, um legado do rival democrata, o ex-presidente Joe Biden.
“Nenhuma nação pode conquistar o que os EUA conquistaram recentemente”, declarou o presidente americano, mencionando as ações contra Qassem Soleimani (2020), militar iraniano morto no Iraque e Abu Bakr al-Baghdadi (2019), militar iraquiano morto na Síria.
Trump mencionou ações militares “não tão bem-sucedidas”, citando especialmente a intervenção no Afeganistão. A operação militar dos EUA naquele país terminou com uma retirada considerada negativa para a imagem da nação, resultando na retomada do poder pela ditadura islâmica do Talibã. A retirada do Afeganistão foi determinada pela administração democrata de Joe Biden.
Ele afirmou que a "dominância dos EUA" não será mais questionada após as ações militares deste sábado. "A dominância dos EUA nunca mais será questionada, isso nunca mais acontecerá", advertiu.
Trump ainda advertiu outros terroristas e ditadores de outros lugares do mundo, dizendo que o que aconteceu com Nicolas Maduro, que foi capturado e levado a um tribunal, poderá acontecer com outros. Trump citou especificamente o caso do presidente colombiano, Gustavo Petro, a quem atribui ações de tráfico de drogas. "Foi um ataque pela soberania e pela justiça", disse, sobre o ataque à Venezuela.
Acusação contra Maduro sai do sigilo
Um juiz do Tribunal Federal do Distrito Sul de Nova York levantou sigilo da nova acusação contra o líder venezuelano, Nicolás Maduro. O documento amplia a denúncia, a mesma apresentada em 2020, colocando o venezuelano como líder de uma rede de narcoterrorismo. Por mais de duas décadas, Maduro teria utilizado a estrutura do Estado venezuelano para infiltrar grandes quantidades de cocaína nos Estados Unidos.
"Maduro se sua esposa logo estarão diante de todo o poderio da justiça americana", declaroui.
Em setembro de 2025, o Secretário de Estado, Marco Rubio, classificou Maduro como um "fugitivo da justiça americana". Como o governo dos EUA não o reconhece como presidente legítimo, a recompensa pelas informações que levariam sua prisão foi elevada para US$ 50 milhões (mais de R$ 250 milhões).
A estrutura do "Cartel de los Soles"
A promotoria sustenta que Maduro lidera o chamado Cartel de los Soles, organização composta por altos comandos militares venezuelanos (cujas insígnias exibem sóis). Segundo a denúncia, o objetivo do grupo não era apenas o enriquecimento e a manutenção do poder, mas também o uso da droga como uma "arma" para inundar e desestabilizar os Estados Unidos.
O texto descreve o governo da Venezuela como um poder "ilegítimo", citando o questionamento internacional das eleições de 2018 e 2024. Estima-se que, por volta de 2020, entre 200 e 250 toneladas de cocaína transitavam anualmente pelo território venezuelano.
Segundo a agência EFE, o caso está sob responsabilidade do juiz federal Alvin K. Hellerstein. O sistema judiciário americano já processou outros ex-líderes latino-americanos em contextos semelhantes, como o panamenho Manuel Noriega e o hondurenho Juan Orlando Hernández. Se condenado, as penas de Maduro podem resultar em prisão perpétua.

