União Europeia aprova acordo com Mercosul

Após 25 anos de negociações, bloco dá sinal verde para criar a maior zona de livre comércio do mundo; presidente da Comissão Europeia viaja a Assunção para assinar o pacto na segunda-feira (12)

  • Por Jovem Pan
  • 09/01/2026 08h25 - Atualizado em 09/01/2026 08h51
JOHN THYS / AFP Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, participa de uma coletiva de imprensa após a reunião do Conselho Europeu em Bruxelas, na Bélgica Com a aprovação, a presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, poderá viajar a Assunção para assinar na segunda-feira (12) o tratado comercial que vinculará o bloco a Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai

Uma maioria qualificada de países da União Europeia aprovou, nesta sexta-feira (9), o acordo de livre comércio com o Mercosul, negociado há mais de 25 anos e criticado pelo setor agropecuário europeu e pela França, indicaram à AFP fontes diplomáticas.

Com esse sinal verde, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, poderá viajar a Assunção para assinar na segunda-feira (12) o acordo comercial que vinculará o bloco a Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai.

Após mais de 25 anos de negociações, a UE aprovou que criar a maior zona de livre comércio do mundo, com várias cláusulas concebidas para acalmar a oposição dos agricultores europeus.

Os representantes dos 27 Estados-membros da União Europeia votaram nesta sexta-feira em Bruxelas.

“É um acordo fundamental para a União Europeia, no plano econômico, político, estratégico e diplomático”, disse na quinta-feira (8) Olof Gill, um dos porta-vozes da Comissão, braço executivo do bloco dos 27.

Embora a assinatura avance em Assunção, o acordo não entrará imediatamente em vigor, já que do lado europeu é também necessário o aval do Parlamento Europeu, que deverá pronunciar-se em um prazo de várias semanas. E este resultado se apresenta incerto, já que cerca de 150 eurodeputados (de um total de 720) ameaçam recorrer à Justiça para impedir a aplicação do acordo.

A Comissão Europeia negocia desde 1999 este amplo acordo com Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai, que criaria a maior zona de livre comércio do planeta, com mais de 700 milhões de consumidores, e eliminaria tarifas de mais de 90% do seu comércio bilateral.

O setor agropecuário europeu teme o impacto de uma chegada intensa de carne, arroz, mel ou soja sul-americanos, em troca da exportação de veículos, maquinaria, queijos e vinhos europeus para o Mercosul.

Os críticos do pacto, a começar pela França, acreditam que o mercado europeu pode ser seriamente abalado pela entrada de produtos sul-americanos mais competitivos devido a normas de produção consideradas menos rigorosas.

Tratores estacionados em frente ao Arco do Triunfo durante manifestação do sindicato agrícola francês Coordenação Rural (CR)

Tratores estacionados em frente ao Arco do Triunfo durante manifestação do sindicato agrícola francês Coordenação Rural (CR)

Seus defensores, como Espanha e Alemanha, consideram, ao contrário, que o acordo diversificará as oportunidades comerciais para uma UE ameaçada pela concorrência chinesa e pela política tarifária dos Estados Unidos.

O bloco sul-americano já havia apresentado sinais de impaciência e, na cúpula realizada em dezembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu “coragem” e “vontade política” à UE para não deixar passar a oportunidade.

Concessões ao setor agropecuário europeu

Para acalmar a ira de agricultores e pecuaristas, temerosos do impacto que teria a redução de tarifas, a Comissão elaborou uma série de cláusulas e concessões nos últimos meses.

“As prioridades agrícolas estiveram no núcleo” das negociações, e “negociamos como loucos”, destacou na quinta-feira o porta-voz Olof Gill.

Entre as medidas, a Comissão anunciou em setembro uma série de garantias para seus setores de carne, aves, arroz, mel, ovos e etanol, limitando a cota de produtos latino-americanos isentos de tarifa e intervindo em caso de desestabilização do mercado.

Em dezembro, a Comissão anunciou ainda que abrirá uma investigação se o preço de um produto do Mercosul for pelo menos 8% inferior ao da mesma mercadoria na UE, e se o volume de importações aumentar mais de 8%.

O Executivo europeu comprometeu-se ainda a legislar sobre os resíduos de pesticidas nas importações, um aspecto que os agricultores denunciam como indício de “concorrência desleal”.

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A Comissão anunciou esta mesma semana a proibição total de três substâncias: tiofanato-metilo, carbendazima e benomilo, sobretudo em frutas cítricas, mangas e papaias.

A França, onde os agricultores mantêm nesta sexta-feira a sua mobilização com tratores nas entradas de Paris, decretou a suspensão temporária de alguns produtos agrícolas tratados com substâncias proibidas na União Europeia, principalmente sul-americanos.

Abacates, mangas, goiabas, frutas cítricas e batatas, entre outros, não poderão entrar na França se contiverem cinco fungicidas e herbicidas proibidos na Europa.

*Com informações da AFP
Publicado por Nícolas Robert