Venezuelanos no exterior reagem a ataque dos EUA e captura de Maduro

Manifestações de repúdio e de comemoração foram registradas em países da América Latina e em outras regiões do mundo

  • Por Jovem Pan
  • 04/01/2026 12h59
Foto por TOMAS CUESTA / AFP Venezuelanos residentes na Argentina comemoram em frente ao Obelisco iluminado com as cores da bandeira venezuelana em Buenos Aires, em 3 de janeiro de 2026, após as forças americanas capturarem o líder venezuelano Nicolás Maduro. O presidente Donald Trump afirmou em 3 de janeiro de 2026 que as forças americanas haviam capturado o líder da Venezuela, Nicolás Maduro, após bombardear a capital Caracas e outras cidades, em um clímax dramático para um impasse de meses entre Trump e seu arqui-inimigo venezuelano. Venezuelanos residentes na Argentina comemoram em frente ao Obelisco iluminado com as cores da bandeira venezuelana em Buenos Aires

O ataque dos Estados Unidos que resultou na captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, na madrugada de sábado (3), levou manifestantes às ruas em diversas cidades do mundo neste fim de semana, incluindo venezuelanos que migraram para outros países em busca de melhores condições de vida.

Além de levar Maduro e a primeira-dama, Cilia Flores, para serem julgados nos Estados Unidos, por um suposto envolvimento com o tráfico internacional de drogas, o governo americano anunciou que pretende administrar a Venezuela “até que se possa realizar uma transição segura, adequada e criteriosa”. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também afirmou que empresas americanas passarão a controlar o setor de petróleo do país, que tem as maiores reservas confirmadas de óleo e gás do mundo.

Segundo a agência de notícias Reuters, houve atos de venezuelanos neste fim de semana comemorando a ação dos Estados Unidos em uma série de países latino-americanos e também na Espanha, em cidades como Bogotá, Lima, Quito e Madrid.

Na Cidade do México, venezuelanos e mexicanos a favor e contra a ação militar norte-americana organizaram atos em frente às embaixadas da Venezuela e dos Estados Unidos, com críticas ao intervencionismo ou celebrações de que o país estava livre de Maduro. A polícia precisou intervir para evitar o aumento da tensão entre os grupos.

Em Buenos Aires, na Argentina, movimentos sociais e venezuelanos contrários à ação protestaram no sábado, em frente à embaixada dos Estados Unidos, enquanto outro grupo se reuniu no Obelisco para comemorar a captura de Maduro.

Também houve protestos contra o ataque nos Estados Unidos, em cidades como São Francisco e Nova York, além do registro de grupos de venezuelanos que celebraram a ação.

Diáspora

Cerca de 20% da população da Venezuela deixou o país desde 2014, e alguns dos principais destinos foram a Colômbia, que recebeu 2,8 milhões de venezuelanos, e o Peru, que recebeu 1,7 milhão, de acordo com a plataforma R4V, um grupo de ONGs regionais que prestam assistência a migrantes e refugiados da Venezuela, criada pela agência de migração da ONU.

Há três anos na Espanha, país que recebeu 400 mil venezuelanos, Andrés Losada disse à Reuters que está lutando entre a preocupação e a alegria com a situação na Venezuela. “Embora o que as pessoas estejam passando em Caracas seja difícil, acredito que, além disso, há uma luz que nos levará à liberdade”, acrescentou.

Em Quito, capital do Equador, a venezuelana Maria Fernanda Monsilva disse esperar que Edmundo González, o principal candidato da oposição venezuelana na eleição presidencial de 2024, possa assumir o poder.

“Muitos de nós que estamos no exterior queremos voltar”, disse Monsilva.

Apesar da declaração do governo americano de pretende controlar a Venezuela, o Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela (TSJ, na sigla em espanhol) decidiu que a vice-presidente executiva Delcy Rodríguez deverá assumir a presidência interina do país.

Em Caracas, capital da Venezuela e cidade que foi alvo do ataque, uma manifestação repudiou a intervenção americana. O venezuelano José Hernandez participou do protesto e classificou de criminosa a operação estrangeira em seu país.

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“Os outros países do mundo precisam ter muita clareza sobre o modo completamente criminoso com que os Estados Unidos estão agindo. Isso é extrair, ou melhor, roubar recursos de outros países que têm energia e minérios”, criticou.

*Com Agência Brasil