Voo sem Tarcísio: PP mira bolsonarismo no governo de São Paulo e agenda reunião com União Brasil

A expectativa é que, na volta do recesso, a sigla converse com o presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, a respeito do assunto

  • Por Beatriz Manfredini
  • 07/01/2026 07h40 - Atualizado em 07/01/2026 07h41
MIGUEL PESSOA / ESTADÃO CONTEÚDO Tarcísio de Freitas Internamente, dentro do PP, o entendimento é que não será difícil convencer Rueda do desembarque de Tarcísio

O Progressistas (PP) continua avançando no projeto de uma candidatura independente de Tarcísio de Freitas (Republicanos) ao Palácio dos Bandeirantes. A expectativa é que, na volta do recesso, a sigla converse com o presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, a respeito do assunto. Internamente, dentro do PP, o entendimento é que não será difícil convencer Rueda do desembarque de Tarcísio, já que o presidente do União sempre foi visto como alguém “mais resistente” ao apoio do nome do atual governador.

O senador Ciro Nogueira, presidente nacional do PP, no entanto, tem sido um entusiasta de Tarcísio. Como já mostrou a coluna, desde dezembro, a sigla planeja desembarque de Tarcísio. O partido está marcando, para os primeiros dias do ano, reuniões com potenciais candidatos.

O entendimento de caciques da sigla é que lançar um nome “bastante bolsonarista” em São Paulo tende a puxar votos para candidatos a deputado federal e estadual do partido. Eles avaliam que Tarcísio “não vai pegar na mão de Flávio [Bolsonaro, senador e pré-candidato à Presidêcia”, mas fazer apoio velado.

Por isso, uma candidatura própria mais alinhada com bolsonarismo alavancaria o PP na disputa pelo Legislativo, mesmo sem a pretensão de vencer a disputa pelo governo do estado.

Até o momento, o nome do ex-ministro Ricardo Salles (Novo) foi ventilado, mas descartado. Ele disse que não concorreria contra Tarcísio. O nome de Rodrigo Garcia (PSD) chegou a ser citado, mas foge da avaliação de um candidato com grande veia pró-Bolsonaro. Nesse sentido, o nome de Filipe Sabará, ex-secretário de Tarcísio e João Doria, segue ganhando espaço. Ele ajudou na coordenação de campanha de Pablo Marçal (PRTB) à Prefeitura de São Paulo em 2024 e, agora, comanda a do próprio Flávio Bolsonaro.

FEDERAÇÃO UNIÃO-PP

A conversa tem como plano de fundo a homologação da federação entre os dois partidos. Em dezembro, União Brasil e PP (Progressistas) solicitaram o registro no TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Nacionalmente, a federação será comandada conjuntamente por Antonio Rueda e Ciro Nogueira.

Já na esfera do Estado de São Paulo, o presidente regional do PP, deputado federal Maurício Neves, disputa o comando com o presidente o ex-vereador Milton Leite, um dos vice-presidentes da executiva nacional do União Brasil.

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Leite tem dado sinais a interlocutores de que a tentativa de candidatura própria do PP é apenas uma estratégia para pressionar Tarcísio por mais apoio e palanque a candidatos, especialmente o deputado federal Guilherme Derrite (PP), que vai tentar uma vaga no Senado. Já no âmbito estadual do PP, a avaliação é que, apesar da intenção ser fazer tudo em “comum acordo”, o “voo solo”, sem Tarcísio, vai prevalecer.

 

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.