Zé Neto vê cenário internacional favorável a acordo com UE: ‘Não é momento de escolher parceiro’
Deputado petista também defendeu que o Brasil deve manter uma estratégia comercial ampla, sem restrições ideológicas ou geopolíticas na escolha de parceiros
Em entrevista à Jovem Pan, o deputado federal Zé Neto (PT-BA) afirmou que o atual contexto internacional tem contribuído para o avanço do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, negociado há mais de duas décadas. Segundo o parlamentar, mudanças recentes na postura dos Estados Unidos ajudaram a acelerar o entendimento entre os blocos.
“O Brasil está fazendo todo o esforço possível para que essa integração aconteça. Hoje, inclusive, essas atitudes dos Estados Unidos ajudam para que esse movimento avance. É apostar que isso aconteça. Algumas coisas vão ser corrigidas ao longo do percurso”, declarou o deputado.
Zé Neto também defendeu que o Brasil deve manter uma estratégia comercial ampla, sem restrições ideológicas ou geopolíticas na escolha de parceiros. “A gente precisa ter cuidado sobre como vai se alinhar, não só com a Europa, mas com o resto do mundo. Não é momento de escolher parceiro comercial”, concluiu.
As declarações ocorrem no momento em que a União Europeia deu um passo decisivo para a conclusão do acordo com o Mercosul. Os países do bloco europeu aprovaram provisoriamente, nesta sexta-feira (9), o texto do tratado, segundo diplomatas ouvidos pelas agências France Presse e Reuters. A formalização do resultado ainda depende do envio das confirmações por escrito até as 17h (horário de Bruxelas).
Com o aval, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, poderá assinar oficialmente o acordo na próxima segunda-feira (12), no Paraguai. Caso ratificado, o tratado poderá criar a maior área de livre comércio do mundo, reunindo mercados que somam cerca de 451 milhões de consumidores apenas na União Europeia.
O acordo prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas de importação e exportação, além da harmonização de regras para o comércio de bens industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios. Para o Brasil, maior economia do Mercosul, os impactos vão além do agronegócio, alcançando também diversos segmentos da indústria.
Apesar do apoio de setores empresariais, o texto segue enfrentando forte resistência de agricultores europeus, sobretudo na França. Ainda assim, a maioria dos 27 Estados-membros da União Europeia votou a favor do acordo em reunião de embaixadores realizada em Bruxelas. Para avançar, era necessário o apoio de pelo menos 15 países que representassem 65% da população do bloco — critério que foi atingido.
A decisão foi tomada mesmo diante da oposição formal da França, da Irlanda e de outros países. Na véspera da votação, o presidente francês, Emmanuel Macron, reafirmou que Paris se posicionaria contra o acordo. “Embora a diversificação comercial seja necessária, os benefícios econômicos do acordo UE-Mercosul serão limitados para o crescimento francês e europeu”, afirmou em comunicado.
Após mais de 25 anos de negociações iniciadas em 1999, o acordo entre Mercosul e União Europeia avança para sua etapa final no bloco europeu, em meio a disputas políticas, interesses econômicos e pressões do setor agrícola.
*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.