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Lula visitou Juiz de Fora neste sábado (27), uma das cidades mais afetadas pelas fortes chuvas dos últimos dias em Minas Gerais (Foto: Tânia Rego/Agência Brasil)

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O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) trocaram críticas públicas neste sábado (27) sobre a aplicação de recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em obras de prevenção a desastres no estado. A divergência ocorreu durante a visita do petista às cidades de Juiz de Fora e Ubá, duas das mais afetadas pelas fortes chuvas que atingiram o estado nesta semana. Os temporais já provocaram 70 mortes, além de destruição em diversas regiões.

Lula responsabilizou o governo mineiro pela ausência de iniciativas para acessar recursos federais voltados à prevenção de enchentes e deslizamentos. Segundo o ministro das Cidades, Jader Filho, o governo federal teria reservado R$ 3,5 bilhões para obras em Minas Gerais, mas o valor não foi utilizado porque o Executivo estadual não apresentou projetos.

“Isso é o resultado do descaso histórico que se tem com o povo pobre deste país”, afirmou o presidente.

Em publicação na rede social X, Zema classificou a declaração como “inaceitável” e afirmou que não gostaria de “desviar energia” para responder a ataques em um momento de luto para o estado. “Eu não gostaria de desviar a minha energia para responder a um ataque num momento tão grave para o povo mineiro”, escreveu.

O governador disse que herdou projetos paralisados da gestão do ex-governador Fernando Pimentel (PT) e que precisou reiniciar processos administrativos. “Dentro do PAC, o governo de Minas apresentou para o Governo Federal muitos projetos que somam mais de R$ 9 bilhões. Não são apenas obras em encostas, mas também estradas, metrô e muitas outras obras de infraestrutura”, afirmou.

Zema alegou ainda que apenas R$ 280 milhões teriam sido liberados. “Sabe quanto foi liberado? R$ 280 milhões, só isso. Minas pediu R$ 9 bilhões e o governo Lula do PT liberou 3% desse valor”, declarou.

Governador pediu respeito às vítimas da tragédia

Ainda pelas redes sociais, o governador também pediu respeito às vítimas das chuvas e afirmou que o momento exige união institucional.

“A dor do povo mineiro, principalmente neste momento, exige seriedade, união e responsabilidade. O cargo de presidente da República deveria servir para unir a nação em torno de soluções e não para fazer isso, espalhar fake news”, escreveu.

A troca de acusações ocorre em meio à mobilização de equipes estaduais e federais para atender os municípios atingidos pelas chuvas, que enfrentam deslizamentos, alagamentos e perda de infraestrutura básica. Durante visita ao estado, o presidente Lula determinou a criação de um escritório de resposta do governo federal dentro de uma sala da Prefeitura de Juiz de Fora.

Segundo o governo federal, a proposta é estabelecer contato direto entre os municípios afetados, os ministérios e a Caixa Econômica Federal. “Nós iremos ajudar os prefeitos a recuperarem as suas cidades, nós iremos ajudar os pequenos empresários a poderem ter crédito para recuperar as suas empresas, nós vamos recuperar o que houve de estrago na saúde, o que houve de estrago na educação e, sobretudo, a gente vai dar casa para as pessoas que perderam as casas”, disse Lula.

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