Auditor diz que acessou por engano dados da enteada de Gilmar Mendes
Ricardo Mansano de Moraes é um dos alvos das medidas cautelares de Alexandre de Moraes contra funcionários da Receita Federal e está sendo investigado

O auditor da Receita Federal, Ricardo Mansano de Moraes, afirmou a interlocutores que o acesso ao CPF da enteada do ministro Gilmar Mendes, Maria Carolina Feitosa, filha da advogada Guiomar Feitosa, ocorreu por engano, relata a CNN Brasil. Segundo ele, os esclarecimentos já foram prestados ao órgão.
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Servidores da Receita relataram que Mansano trabalha na secretaria do órgão em Presidente Prudente e reside em São José do Rio Preto, cidades do interior de São Paulo. A Receita declarou não poder confirmar esses dados. A defesa dos citados ainda não deu retorno aos contatos da emissora.
O Supremo Tribunal Federal (STF) informou, em nota, que investigações preliminares identificaram “diversos e múltiplos acessos ilegais” ao sistema da Receita para obtenção de dados sigilosos de ministros da Corte, do procurador-geral da República e de familiares dessas autoridades. Segundo o tribunal, além de Mansano, os acessos teriam sido realizados pelos servidores Luiz Antônio Martins Nunes, Luciano Pery Santos Nascimento e Ruth Machado dos Santos.
O ministro Alexandre de Moraes determinou medidas cautelares, entre elas o afastamento de Mansano do cargo. Dentro da Receita, há duas interpretações sobre o episódio envolvendo a mais alta instância do Poder Judiciário.
Servidor da Receita apoia divulgação de dados dos ministros do STF
Uma parte dos servidores questiona a decisão judicial e a própria caracterização de irregularidade. Esse grupo afirma que a investigação administrativa ainda não estava concluída quando foram adotadas as medidas cautelares. Também sustenta que os sistemas do órgão registram e permitem rastrear todos os acessos, o que tornaria muito difícil a prática deliberada de irregularidades por um auditor. Esses servidores questionam ainda se houve efetivo vazamento de informações ou apenas consultas aos dados, que poderiam estar relacionadas a procedimentos fiscais regulares.
Outro grupo de servidores, de acordo com a emissora, considera que a operação revelou a permanência, dentro da Receita, de setores associados ao legado da Operação Lava Jato. Segundo essa avaliação, esses grupos teriam atuação anterior junto à força-tarefa de Curitiba, manteriam posições críticas ao STF, especialmente ao ministro Alexandre de Moraes.
Em um grupo interno do órgão, um servidor manifestou apoio ao auditor investigado pela Polícia Federal e defendeu a divulgação de dados dos ministros do tribunal. A Polícia Federal investiga as circunstâncias dos acessos e eventual motivação política.

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