Gabriel Galípolo
Resultado negativo foi provocado pela desvalorização do dólar, que concentra grande parte das aplicações do BC. (Foto: André Borges/EFE)

Ouça este conteúdo

O Banco Central sob a presidência do economista Gabriel Galípolo registrou um prejuízo de R$ 119,97 bilhões em 2025, resultado impactado principalmente pela valorização do real frente ao dólar. O rombo foi integralmente coberto pela reserva de resultados da instituição, evitando impacto direto imediato nas contas públicas.

As demonstrações financeiras foram aprovadas nesta quinta (26) pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), composto pelos ministros Fernando Haddad (Fazenda) e Simone Tebet (Planejamento) e pelo próprio presidente do Banco Central. O colegiado validou os números em meio a um cenário de forte oscilação cambial e mudanças no ambiente econômico internacional.

“É importante ressaltar que todas as operações que o BC realiza visam o alcance dos seus objetivos institucionais e não a obtenção de lucro. Dessa forma, a apuração de resultados positivos ou negativos decorrem das condições gerais da economia nacional e internacional e da necessidade de atuação do BC junto ao sistema financeiro para o cumprimento da sua missão”, informou a autoridade monetária em nota oficial (veja na íntegra).

VEJA TAMBÉM:

O prejuízo bilionário de 2025 contrasta com o registrado em 2024 (sob a gestão de Roberto Campos Neto), quando as contas do Banco Central ficaram positivas em R$ 270,94 bilhões de lucro. Desse total, R$ 242,79 bilhões foram destinados à reserva de resultados, enquanto R$ 28,16 bilhões foram transferidos ao Tesouro Nacional, reforçando o caixa do governo.

Segundo a autoridade monetária, quando há lucro, parte dos recursos vai para o Tesouro e ajuda na gestão da dívida pública. Já em caso de prejuízo, como ocorreu em 2025, o resultado é coberto inicialmente pelas reservas internas, podendo exigir apoio do Tesouro caso necessário.

O balanço aponta que o desempenho negativo foi fortemente influenciado pela queda de 11,14% do dólar no período, movimento oposto ao de 2024, quando houve valorização de 27,91%. Como grande parte dos ativos do Banco Central está em moeda estrangeira, essas variações têm impacto direto no resultado final.

“Em razão da composição do seu balanço patrimonial, em que parte relevante dos seus ativos são constituídos em moedas estrangeiras, o resultado do BC é fortemente impactado pelas oscilações nas taxas de câmbio”, destacou a instituição. Esse efeito explica a volatilidade entre lucro e prejuízo de um ano para outro.

VEJA TAMBÉM:

As operações com reservas internacionais e derivativos cambiais geraram perdas de R$ 150,26 bilhões, parcialmente compensadas por ganhos de R$ 30,29 bilhões em outras operações, principalmente em moeda local. No total, os ativos do Banco Central somaram R$ 4,97 trilhões, sendo R$ 2,09 trilhões em moedas estrangeiras e R$ 2,88 trilhões em ativos domésticos.

Mesmo após cobrir o prejuízo, a reserva de resultados ainda mantém saldo de R$ 122,82 bilhões. O montante segue como colchão financeiro para absorver eventuais perdas futuras sem impacto imediato sobre o Tesouro.

Desde 2021, a apuração dos resultados do Banco Central passou a ser anual, com análise tradicionalmente realizada em fevereiro pelo Conselho Monetário Nacional. O modelo busca dar maior previsibilidade e transparência às contas da autoridade monetária.

Você pode se interessar