Bolsonaro relata pesadelos na prisão e diz ter medo de Flávio sofrer atentado
Ex-presidente recebe aliados e líderes religiosos na Papudinha e tenta acompanhar cenário político e eleitoral

Preso desde janeiro no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha, o ex-presidente Jair Bolsonaro recebe visitas de familiares, líderes religiosos e aliados políticos. Durante as conversas, faz desabafos pessoais, mas também discute a estratégia eleitoral deste ano.
De acordo com o jornal Folha de S.Paulo, Bolsonaro afirmou a aliados que tem pesadelos frequentes. Além disso, ele relata ter medo de que o filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), sofra um atentado durante a campanha para a presidência da República. O ex-presidente foi vítima de uma facada em 2018, também durante a campanha presidencial.
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Durante as visitas, Bolsonaro também reclama de não acompanhar plenamente as movimentações políticas fora da prisão. Ele pode assistir à TV aberta, mas apenas por algumas horas por dia.
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Segundo perícia médica da Polícia Federal, Bolsonaro assiste a programas esportivos na TV. Pela manhã, toma banho, faz a barba e lê livros. À tarde, descansa depois do almoço e faz caminhadas.
Bolsonaro relata preocupação com Flávio
O ex-secretário de Assuntos Fundiários Nabhan Garcia encontrou o ex-presidente em fevereiro. Segundo ele, Bolsonaro pediu que levasse um recado a Flávio para que o filho tenha cautela na corrida eleitoral deste ano. Além disso, Nabhan afirmou ao veículo que o ex-presidente se emocionou ao falar do assunto.
O tema também foi discutido com o bispo Robson Rodovalho, líder da igreja Sara Nossa Terra, que presta assistência religiosa a Bolsonaro com autorização do Supremo Tribunal Federal (STF). “Acho que Bolsonaro é um homem traumatizado”, afirmou o bispo. “Ele teme por várias coisas e se sente injustiçado, impotente para se defender e defender os seus.”
Bolsonaro também afirma a pessoas próximas que teme pela própria morte. Disse ter pensado que morreria na última cirurgia, realizada em dezembro. Depois da operação cirúrgica, Bolsonaro intensificou o aconselhamento religioso. Ele também recebe visitas frequentes do bispo Thiago Manzoni, deputado distrital pelo PL. O STF autorizou visitas semanais de religiosos, às terças e quintas.
Mesmo com remédios para dormir, ele relata que dorme mal e tem pesadelos. Além disso, o ex-presidente também diz que tem comido pouco para evitar as crises de soluço frequentes e os vômitos. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro envia marmitas ao marido, mas ele tem receio de comer.
Aliados dizem que as crises de soluço dificultam conversas mais longas. Também relatam que os medicamentos provocam náuseas e desequilíbrio físico.
Visitas de cunho político
Pré-candidatos também têm visitado Bolsonaro na Papudinha em busca de apoio político. Mesmo preso, o ex-presidente participa da pré-campanha de Flávio e discute a formação de palanques nos Estados.
Ele atuou para consolidar a candidatura do filho, que inicialmente enfrentava resistência de partidos do centrão e de setores do mercado, que preferiam o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
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Ainda segundo a Folha, aliados descrevem Bolsonaro como alguém sujeito a paranoias e sensação de perseguição, especialmente depois da facada sofrida em 2018. Em novembro, quando cumpria prisão domiciliar, Bolsonaro tentou romper a tornozeleira eletrônica com um ferro de solda.
Aliados afirmam que ele acreditava que havia um grampo no equipamento e temia que terceiros ouvissem suas conversas. Também disse a visitantes que um drone o observava no quintal de sua casa.

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