Política

Câmara aprova urgência de projeto que prevê quebra de patente do Mounjaro

Proposta vai, agora, ao plenário, sem passar por comissões temáticas

Como Ozempic, Mounjaro também deve ser injetado semanalmente | Reprodução/Youtube
Mounjaro, medicamento para diabetes, deve ser injetado semanalmente pelo paciente | Reprodução/Youtube

O plenário da Câmara dos Deputados aprovou nesta segunda-feira, 9, o regime de urgência para o projeto de lei que prevê a quebra de patente dos medicamentos Mounjaro e Zepbound. Os remédios são usados no controle da diabetes e como emagrecedores. Com a decisão, o texto poderá ser analisado diretamente em plenário em outra votação, sem necessidade de tramitar por comissões temáticas.

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A quebra de patente permite que o governo autorize outros laboratórios a produzir um medicamento sem o consentimento do detentor original da patente. A medida tem como objetivo ampliar a disponibilidade dos remédios e facilitar sua incorporação ao Sistema Único de Saúde (SUS).

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O requerimento de urgência ao Projeto de Lei 68/2026 foi apresentado pelo próprio autor da proposta, deputado federal Mário Heringer (PDT-MG). A urgência foi aprovada com 337 votos favoráveis e 19 contrários. Médico de formação, Heringer afirmou que a adoção do medicamento pelo sistema público pode gerar economia de cerca de R$ 70 bilhões aos cofres públicos.

“Há uma série de doenças que podem ser tratadas com esse tipo de medicamento. O recurso gasto para tratar essas enfermidades tende a superar o valor despendido na aquisição do remédio. Com a quebra da patente, o acesso deixará de ficar restrito às pessoas mais favorecidas, como ocorre hoje”, argumentou o parlamentar.

O Mounjaro e o Zepbound

Fabricado pela Eli Lilly, o Mounjaro foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para o tratamento de diabetes tipo 2 em 2023 e, mais recentemente, em junho de 2025, teve seu uso ampliado para obesidade e sobrepeso com comorbidades no Brasil.

O Zepbound, que contém o mesmo princípio ativo, ainda não possui aprovação comercial da Anvisa e não está oficialmente à venda nas farmácias brasileiras.

Voto contrário da bancada do Novo

Plenário da Câmara dos Deputados durante votação | Foto:Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados
Plenário da Câmara dos Deputados | Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

A bancada do Partido Novo orientou voto contrário à urgência. Segundo a deputada Adriana Ventura (SP), a proposta pode gerar insegurança jurídica e desestimular investimentos em inovação no Brasil.

“A patente tem um papel fundamental: garantir investimento. No mundo inteiro é assim. Com essa medida, outros investimentos podem ser desencorajados. A discussão é legítima, mas, no mínimo, deveríamos realizar uma série de debates e audiências. Esse tema precisa ser mais aprofundado”, disse a parlamentar.


Redação Oeste, com informações do Estadão Conteúdo

1 comentário
  1. anderson mantovan
    anderson mantovan

    É mais de 300 votos seguem a orientação de quebra de patente. Algo que vai beneficiar muitos sem duvida mas como bem observado pela parlamentar que pode custar investimentos futuros. Temos que analisar melhor o que chamamos de direita…