Política

Câmara rejeita maior parte das mudanças do Senado ao PL Antifacção

Deputados decidiram manter a versão da proposta apresentada por Derrite com algumas alterações; proposta agora vai à sanção presidencial

Plenário da Câmara
Plenário da Câmara analisou o PL Antifacção na noite desta terça-feira, 24 | Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

A Câmara dos Deputados aprovou na noite desta terça-feira, 24, relatório de Guilherme Derrite (PL-SP) ao Projeto de Lei 5.582/2025, conhecido como PL Antifacção. Ao apresentar o parecer, o parlamentar votou por rejeitar a maior parte das mudanças aprovadas pelo Senado em 18 de novembro de 2025.

Uma das alterações elogiadas por Derrite foi a criação da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) sobre bets. O objetivo seria financiar o combate ao crime organizado até a instituição do Imposto Seletivo sobre esses jogos em 2027.

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+ Derrite diz que texto do PL Antifacção do Senado ‘enfraquece o novo marco legal’

Guilherme Derrite, relator do PL Antifacção na Câmara | Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados
Guilherme Derrite, relator do PL Antifacção na Câmara | Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

O trecho, no entanto, ficou de fora da redação aprovada do PL Antifacção pelos deputados. A medida deve ser analisada em um novo projeto de lei. 

Com a aprovação final da proposta na Câmara, o texto agora segue para o Palácio do Planalto. Se sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o projeto vai se chamar Lei Raul Jungmann, em homenagem ao ex-ministro da Justiça, que morreu aos 73 anos em 19 de janeiro deste ano.

raul jungmann
Raul Jungmann, durante uma entrevista – 13/7/2018 | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Crítica às mudanças do Senado ao PL Antifacção

Ao apresentar seu relatório do projeto nesta terça-feira, Derrite criticou o substitutivo aprovado pelo Senado. O parlamentar afirmou que o parecer da Casa Alta “dilui o conceito original, torna o texto mais interpretativo e menos objetivo, fragiliza a segurança jurídica e amplia significativamente o risco de decisões conflitantes entre tribunais”.

“Longe de representar um aperfeiçoamento sistêmico, o parecer do Senado promove um enfraquecimento estrutural do novo marco legal construído pela Câmara, diluindo conceitos, reduzindo penas, suprimindo instrumentos eficazes de repressão às facções criminosas e reabrindo margens interpretativas que favorecem a impunidade”, analisou.

Senador Alessandro Vieira (MDB/SE), relator da CPI do Crime Organizado | Foto: Geraldo Magela/Agência Senado
Senador Alessandro Vieira (MDB/SE) foi o relator da proposta no Senado | Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

Os principais pontos criticados foram:

  • Redução de penas de até 40 anos para 15 a 30 anos no crime de facção;
  • Favorecimento caiu para 8 a 15 anos;
  • Tipo penal mais genérico;
  • Substituição de crimes detalhados por formulação ampla: “promover, constituir, financiar ou integrar facção criminosa”;
  • Retirada de instrumentos de combate;
  • Fim da punição de atos preparatórios;
  • Exclusão de restrições como corte de benefícios a líderes de facção;
  • Fragilização da repressão patrimonial;
  • Fim de regra clara de divisão de bens apreendidos entre União e estados;
  • Risco de insegurança jurídica;
  • Texto mais aberto pode gerar interpretações divergentes nos tribunais.

Trechos mantidos

Apesar da rejeição geral, o relatório preserva alguns pontos considerados positivos:

  • Recursos destinados ao Fundo Nacional de Segurança Pública;
  • Ajustes processuais;
  • Prazos para atuação do Ministério Público;
  • Regras para investigações de facções.
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