Política

Careca do INSS avalia delação premiada, diz site

Principal investigado nas fraudes do INSS poderia delatar envolvimento do filho do presidente Lula no esquema e outras condutas criminosas

Antônio Carlos Camilo Antunes, o 'Careca do INSS', durante seu depoimento na CPMI do INSS - 25/9/2025 | Foto: Wilton Junior/Estadão Conteúdo
Antônio Carlos Camilo Antunes, o 'Careca do INSS', durante seu depoimento na CPMI do INSS — 25/9/2025 | Foto: Wilton Junior/Estadão Conteúdo

Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, principal alvo das investigações da fraude bilionária em benefícios pagos a aposentados e pensionistas, avalia fazer uma delação premiada, informou neste sábado, 14, o portal Metrópoles.

+ Leia mais notícias de Política em Oeste

Receba nossas atualizações

Antunes está preso desde 12 de setembro. A hipótese de delatar outros membros do esquema passou a ser considerada depois de familiares se tornarem alvo das investigações sobre desvios de recursos do INSS. Um dos familiares presos é Romeu Carvalho Antunes, filho do Careca do INSS. Ele foi detido em dezembro e é apontado como principal parceiro do pai no esquema de fraudes.

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS também apura o envolvimento de Tânia Carvalho dos Santos, mulher de Careca, cujo depoimento, aprovado pelo colegiado, ainda não foi marcado.

A relação de Lulinha, filho de Lula, com o operador do esquema no INSS

Fontes próximas disseram ao Metrópoles que Careca pretende detalhar suas relações comerciais com Fábio Luiz Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, caso faça uma delação. As informações a serem apresentadas englobariam atividades de lobby nos setores de educação e saúde, além das fraudes no INSS.

Lulinha reside atualmente em Madri, na Espanha. Ele se mudou depois da intensificação das investigações relacionadas ao INSS. Segundo apurações, Careca teria contratado Lulinha para prestar serviços à World Cannabis, empresa dedicada ao mercado de cannabis medicinal com operações nos Estados Unidos, Portugal e Brasil.

O filho do presidente teria colaborado nas articulações políticas do projeto. Um colaborador da Polícia Federal (PF) revelou que Lulinha teria recebido R$ 25 milhões e uma mesada de R$ 300 mil de Careca do INSS.

O plano da World Cannabis era produzir medicamentos à base de cannabis para fornecimento ao SUS. A empresa chegou a elaborar o Projeto Amazônia, apresentado ao Ministério da Saúde. Lulinha teria viajado a Portugal acompanhado de Careca, com despesas custeadas pelo operador.

Além do núcleo familiar, uma eventual delação de Careca do INSS pode envolver nomes do alto escalão do Congresso Nacional. Investigações da Polícia Federal também abrangem autoridades com foro privilegiado, como Weverton (PDT-MA), vice-líder do governo no Senado.

Lula, Lulinha, Careca do INSS e a possível delação

Lulinha
Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva | Foto: Reprodução/Redes sociais

Lulinha nunca falou sobre as acusações. Já Lula disse que conversou com o filho. “Eu chamei meu filho aqui, e falo isso para todo mundo. Olhei no olho do meu filho e falei: ‘Você sabe a verdade, só você sabe a verdade. Se você tiver alguma coisa, você vai pagar o preço de ter alguma coisa. Se você não tiver, se defenda’”, afirmou Lula ao UOL.

Lula declarou ainda ter apoiado a criação da CPMI do INSS e não comentou o fato de que seus aliados do governo e do partido, como a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, atuam para limitar as investigações, sobretudo nas frentes que envolvem Lulinha. Na comissão, o filho do presidente tem sido frequentemente blindado.

+ CPMI: ‘Careca do INSS’ diz ser ‘vítima de uma narrativa fantasiosa

No Supremo Tribunal Federal (STF), o escândalo do INSS está sob relatoria do ministro André Mendonça. Eventual acordo de delação com o Ministério Público precisaria ser homologado pelo ministro.

Antes disso, o próprio MP teria que aceitar um acordo com o eventual delator. A Procuradoria-Geral da República rejeitou anteriormente delação semelhante feita por Roberto Leme da Silva, o Beto Louco, investigado na Operação Carbono Oculto, sobre a relação do PCC com redes de combustível em São Paulo.

Apesar da apuração do Metrópoles, a defesa do operador do esquema nega a intenção de fazer uma delação.

0 comentários
Nenhum comentário para este artigo, seja o primeiro.