Política

Cargill 'ficou sozinha' depois de invasões indígenas no Pará, diz advogada

Sandra Silva relata frustração com o governo em reunião da Frenlogi

Indígenas invadiram o terminal da Cargill em Santarém (PA) contra uma decisão do governo Lula que eles chamam de “decreto da morte” | Foto: Reprodução/X invasão indígena
Indígenas invadiram o terminal da Cargill em Santarém (PA) contra uma decisão do governo Lula que eles chamam de “decreto da morte” | Foto: Reprodução/X

A advogada da agrícola Cargill no Brasil, Sandra Silva, afirmou nesta quarta-feira, 25, que a empresa ficou “desigual e sozinha” no caso das invasões indígenas de seus ativos em Santarém (PA). A declaração foi feita durante reunião da Frente Parlamentar Mista de Logística e Infraestrutura (Frenlogi), em Brasília. “O sentimento é de frustração”, disse.

Segundo a advogada, mesmo depois de o governo suspender o decreto relacionado às hidrovias, os ativos da companhia ainda não foram completamente desocupados. Ela afirmou que a energia na unidade de Santarém continua desativada.

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Os atos ocorreram como forma de protesto contra o Decreto n° 12.600, assinado em agosto de 2025, que incluiu as hidrovias dos Rios Madeira, Tocantins e Tapajós no Programa Nacional de Desestatização (PND). A norma autorizava a realização de estudos técnicos, econômicos e jurídicos para avaliar eventual concessão dos serviços de navegabilidade, como dragagem e manutenção dos canais.

Sandra afirmou que a empresa não defendia a revogação do decreto. “Nunca quisemos nem apoiamos, porque a gente entende que o Brasil precisa de hidrovias e estudos que certifiquem que sua exploração não prejudique nenhuma comunidade”, declarou. “Só queríamos que a decisão de desocupação dos ativos da Cargill fosse cumprida, o que não aconteceu.”

Indígenas invadem terminal da Cargill em Santarém
Indígenas invadem terminal da Cargill em Santarém (PA) | Foto: Reprodução/X

Invasão do terminal da Cargill amplia impasse no Pará

A invasão do terminal da Cargill no Porto de Santarém ocorreu na sexta-feira 20, depois de 31 dias de bloqueio do acesso de veículos ao complexo portuário. Segundo a empresa, as operações continuam totalmente interrompidas. A companhia informou que identificou “fortes evidências de vandalismo e danos a ativos” no local.

No sábado 21, a Justiça Federal de Santarém negou pedido da Cargill para retirada dos manifestantes em regime de plantão. O juiz federal Eneias Alexandre Gonçalves Torres argumentou que o uso de força não seria recomendável diante da presença de mulheres, crianças e idosos no local. O Ministério Público Federal classificou como “irregular” a intimação de desocupação feita aos indígenas por meio de megafones.

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No último domingo, 22, o Ministério de Portos e Aeroportos anunciou a suspensão da licitação de dragagem no Rio Tapajós e informou que acionou a Advocacia-Geral da União (AGU) para que decisões judiciais fossem tomadas a fim de desobstruir os ativos da Cargill e retirar funcionários de situações de risco.

O terminal de Santarém é responsável pelo embarque de 70% dos grãos movimentados no porto paraense e registrou mais de 5,5 milhões de toneladas de soja e milho em 2025. As operações continuam interrompidas enquanto o impasse permanece.

Entenda o caso de Tapajós

A inclusão da Hidrovia do Rio Tapajós no PND colocou o governo federal, indígenas e a Cargill no centro de um impasse político, ambiental e judicial no oeste do Pará.

O governo afirma que o decreto não autoriza obras nem privatiza os rios, mas apenas permite a realização de estudos. Segundo o Executivo, qualquer decisão futura dependerá de licenciamento ambiental e de consulta livre, prévia e informada às comunidades afetadas, conforme determinação da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Para indígenas de 14 povos do Baixo e Médio Tapajós, além de líderes caiapós, panarás e mundurukus, a medida representa a abertura de um processo que pode consolidar o uso intensivo do rio para o escoamento de commodities. Lideranças indígenas afirmam que “os rios não são corredores de exportação” e exigem a revogação do decreto.

Cerca de cem indígenas dos povos tapajós, munduruku, tukano, tupinambá e tapuia protestaram contra o decreto durante a COP30, realizada em novembro de 2025, e bloquearam a entrada principal da conferência em 17 de novembro.

Leia também: “É uma tragédia – temos comida demais”, artigo de J. R. Guzzo publicado na Edição 200 da Revista Oeste

1 comentário
  1. Osmar Martins Silvestre
    Osmar Martins Silvestre

    Os índios são uma massa de manobra, um montão de gente que não se sente brasileira, servem às ONG internacionais que os mantém sentados em cima das riquezas naturais, plantados no chão para impedirem o progresso do país, tudo a serviço de interesses internacionais. Um governo sério já teria acabado com essa bagunça e imposto aquilo que interessa verdadeiramente ao país. Pergunte-se ao lula: Afinal onde está a propalada “soberania”, onde se pratica de fato que “o Brasil é dos brasileiros”. Um bando de hipócritas mal-intencionados.