Casa Branca divulga balanço do primeiro ano de governo Trump

Governo americano divulgou um memorando oficial no qual atribui uma série de indicadores econômicos e de segurança pública às políticas de deportação em massa adotadas no primeiro ano do novo mandato

  • Por Eliseu Caetano
  • 15/01/2026 09h10 - Atualizado em 15/01/2026 09h30
EFE/EPA/WILL OLIVER Casa Branca em Washington, no dia 9 de outubro de 2025 O memorando afirma que, em doze meses, a administração federal intensificou ações de fiscalização migratória e remoção de estrangeiros em situação irregular

Governo americano divulgou um memorando oficial no qual atribui uma série de indicadores econômicos e de segurança pública às políticas de deportação em massa adotadas no primeiro ano do novo mandato do presidente Donald Trump.

Segundo o documento, o endurecimento da política migratória teria contribuído para a melhora da qualidade de vida de cidadãos americanos em áreas como habitação, emprego, salários e criminalidade.

O memorando afirma que, em doze meses, a administração federal intensificou ações de fiscalização migratória e remoção de estrangeiros em situação irregular, o que, de acordo com o governo, teria liberado recursos públicos, reduzido pressões sobre o mercado de trabalho e contribuído para a queda de crimes violentos em grandes cidades.

Habitação: queda nos preços em grandes áreas metropolitanas

Segundo a Casa Branca, 14 das 20 regiões metropolitanas com maior população de imigrantes em situação irregular registraram queda anual nos preços de imóveis em dezembro. O governo afirma que os valores médios de listagem de casas caíram pela primeira vez em mais de dois anos, sinalizando uma melhora na acessibilidade à moradia.
O memorando destaca ainda que as três grandes regiões onde os preços subiram são classificadas como “cidades-santuário”, termo usado para designar municípios que limitam a cooperação com autoridades federais de imigração. O governo não detalha, porém, o peso de outros fatores econômicos, como juros, oferta de crédito ou ciclos regionais do mercado imobiliário.

Mercado de trabalho e salários

O documento também associa as deportações em massa a ganhos salariais em setores tradicionalmente ocupados por trabalhadores estrangeiros, como transporte rodoviário e construção civil. Segundo a Casa Branca, caminhoneiros e trabalhadores da construção relataram aumentos expressivos de remuneração.
De acordo com os dados apresentados, os salários reais dos trabalhadores americanos devem crescer 4,2% no primeiro ano completo do novo mandato de Trump, ritmo que o governo classifica como o mais rápido em décadas para trabalhadores de renda média e baixa.

Emprego: mudança na composição da força de trabalho

Ainda segundo o memorando, entre janeiro e dezembro de 2025, cerca de 2 milhões de trabalhadores nascidos nos Estados Unidos conseguiram emprego, enquanto aproximadamente 662 mil trabalhadores estrangeiros perderam ocupação. No mesmo período, 1,8 milhão de americanos ingressaram na força de trabalho, ao passo que 881 mil estrangeiros teriam deixado o mercado de trabalho.
A Casa Branca sustenta que esses números indicam substituição de mão de obra e fortalecimento do emprego doméstico. Economistas, no entanto, costumam alertar que mudanças no mercado de trabalho também podem refletir fatores como crescimento econômico, política monetária e ciclos setoriais.

Criminalidade: queda nacional e destaque para grandes cidades

O memorando afirma que os Estados Unidos registraram a maior queda anual de homicídios já documentada, além de reduções significativas em crimes como estupro, roubo, agressões graves e mortes por armas de fogo — estas no menor nível desde 2015. Também são citadas quedas em mortes de policiais em serviço, acidentes de trânsito e óbitos por overdose.
A Casa Branca destaca ainda reduções expressivas em cidades governadas por administrações democratas onde houve operações federais de imigração e segurança:
•Washington, D.C.: queda de 60% nos homicídios, redução de 68% nos roubos de veículos e diminuição de cerca de um terço no total de crimes.
•Chicago: menor número de homicídios desde 1965, com redução de mais de um terço nos casos de tiros.
•Memphis: menos de 200 homicídios no ano, pela primeira vez desde 2019, e queda de quase 40% nos tiroteios.
•Nova Orleans: taxa de homicídios no menor patamar em quase 50 anos.
O governo atribui esses resultados à combinação de deportações em massa e reforço das ações de segurança pública, embora especialistas em segurança ressaltem que quedas na criminalidade costumam envolver múltiplos fatores, como políticas locais, mudanças demográficas e tendências nacionais de longo prazo.
O memorando tem forte peso político e é apresentado como evidência de que a política migratória restritiva estaria produzindo benefícios diretos para cidadãos americanos. Críticos da administração, no entanto, afirmam que o documento não estabelece causalidade direta entre deportações e os indicadores apresentados, e alertam para possíveis impactos humanitários, econômicos e legais das remoções em larga escala.
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A Casa Branca sustenta que os números refletem uma estratégia bem-sucedida de priorizar cidadãos americanos, enquanto opositores defendem análises independentes e apontam que os dados precisam ser comparados com séries históricas mais longas e com variáveis econômicas externas.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.